Os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos completaram 25 anos em setembro de 2026. A resposta do governo norte-americano, então comandado por George W. Bush, levou a guerras no Afeganistão e no Iraque, cujas consequências humanas e financeiras atravessaram décadas.

Para leitores de São José do Rio Preto e região, a data é uma oportunidade de compreender como os ataques e as decisões posteriores transformaram a política internacional, para além das imagens da destruição das Torres Gêmeas.

Como os Estados Unidos responderam aos atentados

Em 2001, os Estados Unidos iniciaram a invasão do Afeganistão com o objetivo de desmantelar a Al Qaeda, organização terrorista liderada por Osama bin Laden e responsável pelos ataques.

Bin Laden havia participado de redes ligadas à resistência à ocupação soviética do Afeganistão. Sua aproximação com combatentes mujahidin e grupos jihadistas antecedeu a formação da Al Qaeda.

Em 2003, o governo Bush liderou uma coalizão na invasão do Iraque, sem uma nova autorização específica do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Entre as justificativas estavam a suposta existência de armas de destruição em massa e alegações de vínculos do regime de Saddam Hussein com grupos terroristas.

As armas de destruição em massa não foram encontradas. A operação depôs Hussein, mas foi seguida por uma guerra civil no país.

Mortes de civis e custos das guerras

Segundo estimativa do projeto Costs of War, da Universidade Brown, mais de 180 mil civis morreram diretamente em decorrência da violência da guerra no Iraque entre 2003 e 2023. Para os vinte anos de guerra no Afeganistão, as estimativas citadas apontam mais de 45 mil civis mortos.

O custo das guerras desencadeadas após o 11 de Setembro é estimado em cerca de US$ 8 trilhões. Esse valor se refere ao conjunto dos conflitos e de suas consequências financeiras, não apenas às operações iniciais.

Grande parte dos gastos foi financiada por empréstimos, em vez de aumento de impostos ou emissão de títulos específicos de guerra. Esse financiamento ampliou a dívida pública norte-americana e prolongou os encargos dos conflitos.

Um legado que ultrapassa os ataques

Na obra “Globalização, Democracia e Terrorismo”, o historiador Eric Hobsbawm argumentou que a reação norte-americana aos atentados e a política global de combate ao terrorismo foram mais determinantes para a configuração do século 21 do que os ataques em si.

Essa interpretação amplia o olhar sobre a data: além das vítimas em território norte-americano, o legado do 11 de Setembro inclui as populações atingidas pelas guerras, os sobreviventes e os compromissos financeiros assumidos pelos Estados Unidos.