Condenação unânime

O Tribunal de Justiça Militar (TJM) do Estado de São Paulo condenou, nesta terça-feira (29), cinco policiais militares de Rio Preto a penas que variam entre 5 e 20 anos de prisão. A sentença foi dada por unanimidade pelo Conselho Permanente de Justiça da 4ª Auditoria Militar.

Os réus foram culpados pelos crimes de constituição de organização criminosa, usura e extorsão. As investigações apontam que, entre 2022 e 2025, o grupo utilizou o aparato do estado — incluindo fardas, armas e viaturas oficiais — para coagir vítimas e cobrar empréstimos com juros abusivos, que chegavam a 20% ao mês.

Penas detalhadas

  • Alan Victor Soares (ex-sargento): Recebeu a maior pena: 20 anos, 3 meses e 15 dias em regime fechado. Ele era considerado a liderança central da organização, responsável por definir taxas e coordenar cobranças violentas.
  • Luís Guilherme Silva Pavani (soldado): Condenado a 15 anos e 9 meses em regime fechado. Atuava no núcleo de apoio às cobranças e teria movimentado R$ 1,6 milhão.
  • Rafael Soares (1º sargento) e Carlos Henrique da Cruz Candido (cabo): Ambos receberam 6 anos e 7 meses em regime semiaberto. Rafael operava as finanças e Cruz fazia escoltas e dirigia viaturas para os agiotas.
  • Saint Clair Soares (2º sargento): Primo dos condenados anteriores, recebeu 5 anos e 6 meses em regime semiaberto. Usava sua condição de policial, muitas vezes fardado, para intimidar devedores.

Contexto local e próximos passos

As ações criminosas ocorreram principalmente em Rio Preto e região. O caso ganhou destaque após reportagem publicada em maio deste ano, que revelou o envolvimento dos policiais com traficantes e milicianos. Alan Victor Soares havia pedido exoneração da PM antes de ser preso pela Corregedoria.

Até o momento, a sentença completa não está disponível no sistema Processo Judicial Eletrônico (PJe). Os réus continuarão presos durante o processo. A decisão pode ser recorrida tanto pelas defesas quanto pelo Ministério Público Militar.