Em artigo publicado em 23 de setembro de 2026, a psicóloga cognitivo-comportamental Mara Lúcia Madureira, atuante em Rio Preto, analisa o fenômeno da "fabricação do inimigo" como um mecanismo psicológico e social que coloca em risco a democracia e os direitos humanos. A autora argumenta que compreender a si mesmo, as outras pessoas e a realidade é o desafio supremo da existência humana.

A arte de conviver e a simplificação

Para poupar esforços mentais, indivíduos e grupos tendem a generalizar ou complicar excessivamente a realidade. Em meio a crises, encontrar culpados visíveis torna-se o caminho mais fácil, ainda que estúpido. A criação de inimigos simbólicos mobiliza medo, ressentimento e fortalece identidades de grupo exclusivas.

Mecanismos históricos de exclusão

O texto destaca que, ao longo da história, grupos inteiros foram destituídos de sua humanidade para serem tratados como causa coletiva de problemas sociais complexos. Exemplos citados incluem:

  • O regime nazista e a responsabilização dos judeus pelo Holocausto;
  • O extermínio de povos originários por interesses territoriais;
  • A perseguição a comunidades LGBTQIA+ baseada em normas rígidas;
  • A xenofobia contemporânea contra migrantes e estrangeiros.

Ameaças atuais à democracia

Mara Lúcia aponta que correntes misóginas e segmentos religiosos questionam atualmente o sufrágio feminino, argumentando que a participação política das mulheres seria ilegítima. Além disso, discursos xenófobos transformam a diferença em ameaça, evoluindo da rejeição social para a discriminação institucional e a violência.

Responsabilidade cidadã

A autora enfatiza que o combate a projetos autoritários e o respeito ao pluralismo são deveres de todo cidadão. Cada eleitor deve analisar se uma liderança promove a convivência ou a hostilidade. Quando a política se abastece do medo e da desumanização, as instituições democráticas e a paz social ficam em risco. A justiça deve ser um princípio universal, não um privilégio particular.