A recente realidade política expõe uma ruptura drástica na forma como figuras públicas se projetam. Segundo análise do artista e escritor Guilherme Vinhatico Cury, a chamada "desinteligência eleitoral" não sobrevive às urnas. O problema central reside no descuido dos coordenadores de campanha, que falharam ao priorizar estratégias baseadas apenas no barulho midiático, negligenciando dados concretos.

A lição dos bombardeiros

O artigo utiliza o conceito de Viés de Sobrevivência, desenvolvido por Abraham Wald durante a Segunda Guerra Mundial. A lógica ensina que não basta olhar para os aviões que retornaram com buracos nas asas; é preciso analisar onde as aeronaves abatidas foram atingidas para entender a verdadeira vulnerabilidade. Na política, isso significa observar onde os candidatos perderam votos, e não apenas onde ganharam visibilidade.

Dados que faltaram no radar

Os marqueteiros eleitorais ignoraram ativos valiosos disponíveis publicamente. Para construir uma estratégia eficaz, especialmente com 22 meses para as próximas eleições municipais, é necessário cruzar informações de:

  • Prestação de contas na Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais;
  • Despesas publicadas no Portal de Dados Abertos;
  • Relatórios da Biblioteca de Anúncios da Meta;
  • Evolução do eleitorado no site oficial do TSE.

A falta dessa "lição de casa" matemática e comportamental explica por que governantes perdem relevância e são substituídos por novos protagonistas. Esses sucessores muitas vezes não têm repertório ou trajetória consolidada, mas dominam a narrativa pública através da superficialidade.

O preço da superficialidade

A nova geração de políticos influencia os rumos da política pelo impacto imediato, premiando influenciadores digitais que ganham a confiança de eleitores também pouco informados sobre as propostas reais. Em cidades como Rio Preto e na região, essa dinâmica exige que os candidatos passem a estruturar suas campanhas com evidências tangíveis, sob risco de serem eliminados pelas urnas.