Intenção vs. Interpretação

A escolha das palavras pode ter consequências inesperadas, mesmo quando a intenção é positiva. Eurípides A. Silva, mestre e doutor em Matemática pela USP e aposentado pelo Ibilce (campus da Unesp em São José do Rio Preto), relata um episódio que ilustra bem esse risco.

Em sua carreira na gestão acadêmica, ele costumava usar a frase "o profissional atuou no limite de suas forças" nos relatórios de avaliação docente. Para ele, a expressão era um reconhecimento claro do esforço máximo e da superação de adversidades do avaliado.

O mal-entendido com o colega

No entanto, a ambiguidade do termo gerou uma interpretação oposta. Em vez de verem um elogio ao comprometimento, alguns colegas entenderam que a frase indicava que o professor havia atingido seu teto de competência, sem capacidade para evoluir mais.

O caso ganhou contornos pessoais quando um dos avaliados confrontou Eurípides anos depois. Em conversa informal, o colega expressou constrangimento, afirmando que a expressão soou como um "desapreço" e uma limitação imposta à sua carreira.

Lições sobre comunicação

O episódio serviu de aprendizado para o autor, que passou a evitar essa fórmula linguística. Ele destaca que, assim como alerta Hélio Schwartsman na Folha de S.Paulo, o uso descuidado de certas frases distorce a intenção de quem escreve e de quem lê.

A conclusão é clara: para garantir que um elogio seja recebido como tal, é preciso atenção rigorosa ao contexto, ao tom e à clareza da mensagem, especialmente em ambientes profissionais como os da região de Rio Preto.