Queda nos números de AVC é realidade, mas a doença afeta cada vez mais os jovens

O Hospital de Base (HB) de Rio Preto registrou um aumento de 41,3% nos atendimentos por acidente vascular cerebral (AVC) em 2025. Foram 1.695 pacientes, contra 1.200 no ano anterior. O alerta se intensifica entre pessoas de até 50 anos: os casos de AVC isquêmico saltaram de 37, no primeiro semestre de 2025, para 64 no mesmo período de 2026, um crescimento de 72,9%.

Os dados reforçam a importância do Dia Mundial do AVC, celebrado nesta quinta-feira, 29 de outubro. Segundo a Rede Brasil AVC, os casos na faixa de 18 a 45 anos cresceram mais de 20% no país nos últimos cinco anos. Mudanças no estilo de vida e o avanço de doenças crônicas estão entre os principais fatores.

Riscos silenciosos e hábitos perigosos

Hipertensão, colesterol alto, sedentarismo e má alimentação são os vilões. A neurologista Mariana Neves Marques Battaglini, coordenadora da Unidade de AVC do HB, explica que muitas vezes a condição só aparece após o ataque.

"É comum que, no primeiro episódio, sejam diagnosticadas hipertensão ou alterações no colesterol que ainda não haviam sido identificadas", afirma ela. Outros fatores incluem dissecção das artérias carótidas, forame oval patente e arritmias. Substâncias estimulantes, como energéticos e suplementos pré-treino, também merecem atenção por poderem alterar o ritmo cardíaco.

Relatos de quem viveu na pele

A história de Marya Eduarda de Abreu Mendonça, de 23 anos, ilustra o perigo da automedicação. Formada em veterinária, ela interrompeu sozinha o tratamento anticoagulante para uma insuficiência cardíaca pós-Covid. Três meses depois, um trombo foi ao cérebro. Ela recuperou a mobilidade da perna, mas tem limitações no braço esquerdo.

Já Melissa Catini Coutinho, também de 23 anos, sofreu um AVC aos 19 anos. Após dor de cabeça intensa e desmaio, ficou 40 dias na UTI, em coma, com traqueostomia e sonda. Hoje, faz reabilitação e corre corridas de rua, mas reconhece que a doença mudou sua visão sobre o futuro.

Sinais de alerta e tempo é crucial

No HB, a avaliação por neurologista acontece em até dez minutos após a chegada do paciente, com exames de imagem em cerca de 25 minutos. A neurorradiologista Raquel Hidalgo destaca que a rapidez define as chances de recuperação.

Os sinais surgem de repente: boca torta, fraqueza de um lado do corpo, dificuldade para falar, perda de equilíbrio ou dor de cabeça intensa. A orientação é chamar o Samu (192) imediatamente, sem esperar e sem tomar remédios por conta própria.