A B3 acionou o mecanismo de circuit breaker na manhã desta segunda-feira, 26, após uma queda acentuada dos ativos brasileiros. O movimento ocorreu no primeiro dia útil após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 51,79% dos votos. O Ibovespa fechou o pregão em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, marcando seu menor nível desde agosto.
Como funciona a pausa nas negociações
O circuito break é um procedimento operacional da bolsa que interrompe temporariamente as negociações em momentos de forte volatilidade. Na segunda-feira, a suspensão atingiu ativos à vista, títulos de renda fixa privada, opções, BDRs e diversos índices, como IBrX-50 e Small Cap.
As negociações foram paralisadas por 30 minutos quando o Ibovespa registrou queda de 10%. Após a retomada, se o índice caísse mais 5% (totalizando 15%), haveria nova pausa, desta vez por uma hora. Se a perda chegasse a 20%, a B3 poderia determinar outra interrupção.
Impacto na economia real
Especialistas alertam que os efeitos da queda podem chegar à atividade econômica se a turbulência persistir. Claudia Yoshinaga, coordenadora do Centro de Estudos em Finanças da FGV-EAESP, explica que famílias sem ações podem sentir os impactos no custo de financiamentos e na dificuldade de conseguir emprego.
- Se a inflação subir mais que a renda, há perda de poder de compra;
- Creditamento mais caro pode adiar compras e investimentos;
- Empresas exportadoras podem se beneficiar com o real mais desvalorizado.
“É preciso evitar a ideia de que uma queda da Bolsa produz, imediatamente, a mesma perda para toda a população”, afirma Claudia.
Expectativas fiscais pesam no mercado
Para Alexandre Chaia, professor de Economia do Insper, o mercado antecipa expectativas negativas sobre a política fiscal. Ele aponta que o aumento dos gastos durante a eleição gera receio de que o governo não reduza despesas, mantendo juros altos e encolhendo a economia nos próximos anos.
“No curtíssimo prazo não tem impacto direto, mas, no médio e longo prazo, sem dúvida, isso tem”, diz Chaia, citando risco de perda de empregos e estagnação da atividade econômica.
Dólar sobe e estabilidade depende de sinais do governo
O dólar também reagiu com força, abrindo em alta de 12% e tocando R$ 5,60 antes de arrefecer para R$ 5,42. A especialista destaca que a estabilização dos mercados dependerá da redução da incerteza e de sinais claros sobre a equipe econômica e as contas públicas.
Chaia reforça que o governo precisará apresentar, ainda na primeira semana, um plano robusto para conter gastos e enfrentar o déficit fiscal, além de indicar nomes alinhados com a responsabilidade fiscal para o Ministério da Fazenda.
