Valorização do boi gordo

A arroba do boi gordo segue em ritmo de alta e os frigoríficos estão mantendo as escalas de abate mais apertadas. A análise vem se confirmando com base no que relatam pecuaristas e especialistas da região de Rio Preto e de outras partes do país.

Após o período de pausa do feriado, o mercado físico retomou as negociações com preços firmes. Os negócios realizados ficaram acima dos índices médios em diferentes regiões brasileiras.

Recorde em São Paulo

No estado de São Paulo, a cotação do boi “China” atingiu um novo recorde. Segundo dados da Scot Consultoria, o preço superou a marca máxima registrada no dia 9 de outubro, chegando a R$ 385 a arroba.

Esse valor elevado está sustentado pela expectativa de retomada das exportações para a China. A projeção considera os embarques que chegarão ao país asiático em 2027, já sem a tarifa de salvaguarda imposta anteriormente pelo governo chinês ao Brasil.

Milho em baixa

Enquanto o boi sobe, o mercado interno do milho continua em queda. A desvalorização do dólar frente ao real e a retração de compradores são fatores principais.

Pesquisadores do Cepea apontam que a queda nos preços internacionais, a produção recorde na safra 2025–2026 e as exportações abaixo do esperado na temporada passada influenciam a baixa. Com as vendas externas enfraquecidas e a boa andamento da semeadura da safra de verão (soja e milho), os compradores esperam quedas ainda mais expressivas no curto prazo.

Café: EUA voltam a liderar

Os Estados Unidos recuperaram a liderança nas importações de café brasileiro, superando a Alemanha. O dado foi divulgado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e está ligado ao fim da cobrança de tarifas de importação sobre o produto.

Só em setembro de 2026, o Brasil exportou 625.192 mil sacas de café para os EUA, um aumento de 86,4% em relação ao mesmo mês de 2025. A Alemanha assumiu a segunda posição, respondendo por 11,4% do volume embarcado.

Risco climático na safra de verão

O início da safra de verão 2026–2027 será marcado por extremos climáticos que exigem planejamento rigoroso no campo. De acordo com o Boletim Agroclimatológico do Inmet, a permanência do fenômeno El Niño com 100% de probabilidade no último trimestre do ano trará um forte contraste nas chuvas.

  • Sudeste: São Paulo e o centro-sul de Minas Gerais terão chuvas acima da média, favorecendo a semeadura inicial da soja e do milho.
  • Minas Gerais (café): Altas temperaturas e seca em outubro aumentam o risco de abortamento floral no café arábica. A melhora só é prevista para novembro.