Conclusão do Cenipa

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou nesta quarta-feira (14) o relatório final sobre a queda de um ultraleve em Pereira Barreto, no interior de São Paulo. A aeronave colidiu com o Rio Tietê em fevereiro de 2024, resultando na morte do piloto Rosivaldo Mendes da Silva, de 38 anos, e deixando um passageiro com fratura na perna.

A conclusão do órgão é clara: a principal causa foi a inobservância às normas e regulamentos de aviação civil. O acidente aconteceu durante a noite, em condições que violavam as regras operacionais.

Falta de habilitação e voo noturno irregular

Embora o piloto tivesse Certificado de Piloto Aerodesportivo (CPA) e Certificado Médico Aeronáutico (CMA) válidos, ele não possuía a habilitação específica para operar aeronaves anfíbias (AAFA). A PU-SAA, modelo envolvido, era anfíbia.

Além disso, o aeródromo de origem, Fazenda São Joaquim, opera apenas durante o dia. O voo ocorreu após o pôr do sol, o que já configura uma infração grave às regras de segurança.

Problemas mecânicos e manutenção questionada

Peritos do Cenipa encontraram componentes não aeronáuticos instalados na ultraleve experimental e notaram degradação no sistema elétrico. Sem histórico de manutenção rastreável, os investigadores levantaram duas hipóteses técnicas:

  • Falha mecânica: redução de potência do motor pode ter causado estol (perda de sustentação) e descida abrupta;
  • Rompimento estrutural: possível falha nos comandos de voo ou na estrutura devido ao desgaste, explicando a inclinação repentina para a esquerda relatada pelo passageiro.

O Cenipa alerta que a operação em desacordo com o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil (RBAC 91) coloca a segurança abaixo dos mínimos aceitáveis pelo Estado.