Reforma política ganha urgência

O Centrão, grupo de partidos que tradicionalmente apoia a base governista, voltou a discutir a reforma política. A motivação é reagir ao chamado "efeito Nikolas/Pavanato", fenômeno observado nas eleições de 2026, em que candidatos com forte presença digital obtiveram votação massiva, prejudicando as estratégias tradicionais das legendas.

Hugo Motta (Republicanos), presidente da Câmara Federal, defende votar mudanças ainda em 2026. O objetivo é reduzir o peso dos "puxadores de votos" nativos das redes sociais, que obrigaram partidos como PSD, MDB, PP e União Brasil a repensarem suas bancadas.

Impacto em Rio Preto e região

A região de Rio Preto exemplifica essa mudança de cenário. Lucas Pavanato (PL) recebeu 36.581 votos apenas na cidade, enquanto Eleuses Paiva (PSD) levou cerca de 10% desse total em sua própria casa. Com 88.445 votos no estado, o pessedista ficou de fora da Câmara Federal por pouco mais de mil votos, pegando a segunda suplência.

Em Catanduva, Marco Vinholi (Republicanos) ficou na primeira suplência federal. Na cidade natal, Pavanato arrebanhou 10.982 votos, contra 4.826 do próprio Vinholi. Esse deslocamento de votos impactou até a bancada evangélica, que reduziu seu número na Casa.

Como funcionaria o distrital misto?

Não há texto definitivo, mas as negociações indicam um possível "distritão" em 2030 e sistema misto em 2034. No modelo misto, parte das vagas seria disputada em territórios delimitados e outra parte continuaria proporcional.

Rio Preto, com cerca de 350 mil eleitores, provavelmente não formaria um distrito sozinho. Poderia compartilhar circunscrição com Mirassol, Catanduva, Fernandópolis, Votuporanga, Jales, Santa Fé do Sul e municípios menores. Se a regra valesse neste ano, deputados federais e estaduais com vínculos regionais teriam seus mandatos alterados.

  • Luis Carlos Motta e Paulo Bilynskyj (PL)
  • Edinho Araújo (PRD)
  • Itamar Borges (MDB)
  • Danilo Campetti (Republicanos)
  • Valdomiro Lopes (PSB)
  • João Paulo Rillo (PT)

Sob o projeto aprovado pelo Senado em 2017, o PL só poderia lançar um candidato por distrito. Motta e Bilynskyj, se mantidos na mesma circunscrição, precisariam disputar a indicação ou buscar alternativas legais.