As chuvas regulares estão favorecendo os plantios de amendoim no Noroeste Paulista, antecipando a safra em comparação aos anos anteriores. No entanto, a expectativa para o ciclo 2026-2027 é de redução significativa da área cultivada, com projeções de queda entre 30% e 35% no estado de São Paulo, principal produtor nacional do grão.
Custo alto e preço baixo freiam expansão
Apesar do clima favorável, os agricultores apontam dois grandes obstáculos para ampliarem as lavouras: o alto custo de produção e a baixa rentabilidade. Lucas Penariol, produtor de José Bonifácio, informa que o investimento chega a R$ 14 mil por hectare. Somado a isso, o preço da saca oscila entre R$ 70 e R$ 80, valor considerado insuficiente para cobrir as despesas.
“Hoje o produtor não quer correr o risco de empatar. A soja, por exemplo, oferece melhor lucro com custo menor”, explica Penariol. Muitos estão migrando culturas ou reduzindo áreas, especialmente nas lavouras em consórcio com cana-de-açúcar.
Plantio avançado e riscos climáticos
Em Catanduva, o agricultor Marcelo Arruda relata que 50% das áreas já foram semeadas, com início em setembro. A previsão é concluir a semeadura nos próximos quinze dias. Enquanto parte da lavoura está na fase inicial, outra metade já apresenta florescimento.
O fenômeno El Niño preocupa especialistas pela possibilidade de veranicos (períodos secos) no início de 2027. Marcos Michelotto, pesquisador da Apta, afirma que quem plantou mais cedo tende a sofrer menos impacto, pois as vagens já estarão formadas antes das altas temperaturas extremas.
Contexto regional e exportação
São Paulo concentra 80% da produção brasileira de amendoim. Após recordes de exportação em 2025, o setor mantém forte presença internacional, enviando grãos e óleo para Rússia, China e Argélia. Mesmo com a retração na área plantada prevista pela Abex (entre 20% e 30%), a produção paulista segue vital para a economia agrícola da região.
