Preços sobem mais devagar, mas não caem
Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a inflação acumulada de janeiro a setembro ficou em 3,95%. Em setembro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,82%, puxado principalmente pelos alimentos, que tiveram alta de 0,83%. Embora alguns meses tenham registrado deflação nos preços dos alimentos, a percepção do consumidor é outra: está tudo caro.
O impacto real na mesa do brasileiro
A diferença entre os dados frios e o bolso cheio é grande. Entre abril de 2020 e agosto de 2026, se alimentar em casa passou a custar 60,8% a mais. No mesmo período, a inflação geral do IPCA subiu 42,7%. A maior parte desse aumento (42,4%) ocorreu até o final de 2022. Enquanto isso, a renda real do brasileiro cresceu apenas 9,5% até julho deste ano.
Factores que encarecem o alimento
O economista Lucas Borges explica que a inflação é uma média, mas o cidadão sente mais o peso de despesas essenciais como alimentação, moradia e transporte. Inflação menor significa apenas que os preços sobem mais devagar, não que caem.
- Tarifas internacionais: Medidas dos EUA impactam custos de produção.
- Câmbio: Desvalorização do real encarece fertilizantes e combustíveis importados.
- Clima: O El Niño intensifica temporais e secas, afetando plantações.
Juros altos pressionam o orçamento
Além dos preços, a taxa Selic está em 13,75% ao ano. Juros altos encarecem o crédito e comprometem a renda familiar. Quando as famílias usam cartão ou parcelamento para pagar comida e remédios, o crédito vira complemento de renda, gerando um ciclo de endividamento que reduz a capacidade de consumo futuro.
