Impacto direto na vida do rio-pretense

Quando uma obra atrasa ou para, o efeito não fica só no canteiro de obras. O trabalhador perde oportunidades, o fornecedor vende menos, o comércio local sente a falta de clientes e as famílias adiam o sonho da casa própria. Acompanhar a saúde da construção civil é, na prática, medir o pulso da economia e do futuro das nossas cidades.

Em São José do Rio Preto e região, onde o mercado imobiliário tem peso importante na atividade econômica, essa relação é clara. A construção movimenta uma cadeia enorme de negócios, gera empregos diretos e indiretos e impulsiona o desenvolvimento urbano.

Números indicam avanço, mas com ressalvas

A projeção do SindusCon-SP, baseada em análises da Fundação Getúlio Vargas (FGV), indica que o PIB da construção deve crescer entre 0,5% e 1% em 2026. Isso é um pouco acima dos 0,5% registrados em 2025. É um avanço modesto que mostra um setor ativo, mas pressionado por custos altos, juros elevados e incertezas econômicas.

Crédito imobiliário: crédito cresce, mas juros pesam

O financiamento da casa própria é peça central dessa equação. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), os financiamentos com recursos da poupança cresceram 12% no primeiro semestre de 2026. Os recursos destinados à construção de imóveis mais que dobraram, impulsionados principalmente pelo FGTS.

Mas atenção: com a taxa Selic em 13,75% ao ano, o financiamento continua caro para muitas famílias. Isso limita compras e investimentos, mesmo com o aumento da oferta de crédito.

Vendas sobem graças ao Minha Casa, Minha Vida

Os números da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC), feitos em parceria com a Fipe, mostram que as vendas de imóveis cresceram 11,4% entre janeiro e julho de 2026. O principal motor foi o programa Minha Casa, Minha Vida.

O resultado prova a importância do crédito habitacional, mas também evidencia as diferentes condições de acesso à moradia entre as diversas faixas de renda. Quem ganha menos ainda enfrenta barreiras difíceis.

Custos disparam e mão de obra escasseia

Construir ficou mais caro. O INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção) acumulou alta de 6,61% em 12 meses até setembro, segundo dados do SindusCon-SP. Soma-se a isso a dificuldade de encontrar profissionais qualificados, o que compromete a produtividade, os prazos e os custos finais dos empreendimentos.

Mudanças na jornada de trabalho podem gerar novos empregos

A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 podem exigir a contratação de cerca de 300 mil trabalhadores adicionais na construção civil, dependendo de como a legislação for regulamentada. Melhorar as condições de trabalho é indiscutível, mas mudanças dessa dimensão exigem planejamento, diálogo e avaliação cuidadosa dos impactos sobre a disponibilidade de mão de obra, os custos de produção e, consequentemente, os preços dos imóveis.

O desafio para Rio Preto e região

Para nossa cidade, o desafio é transformar o potencial de crescimento em oportunidades concretas. Quando a construção avança de forma sustentável, toda a economia local se beneficia. Quando perde ritmo, os efeitos negativos se espalham. O desempenho da construção civil não interessa só a quem constrói, mas a todos nós.