Paradoxo digital e laboral

Vivemos um momento de grandes transformações e contradições. Adoramos a tecnologia e as facilidades do mundo digital, mas nos sentimos ameaçados pelo desenvolvimento da inteligência artificial. O medo é real: a automação pode tolher empregos e diminuir a renda de muitos trabalhadores.

Envelhecimento e exclusão

Sentimos na pele as mudanças demográficas. Estimulamos a longevidade e buscamos postergar o envelhecimento, matriculando-nos em academias para melhorar a qualidade de vida. Ao mesmo tempo, repelimos os mais idosos, precarizamos suas condições e apoiamos políticos que defendem a redução dos rendimentos dos aposentados.

Religião versus violência urbana

Falamos constantemente em questões religiosas, recheadas de citações bíblicas e exaltamos lições nos sermões. Contudo, elegemos candidatos que defendem a violência urbana, se omitem diante do crescimento do feminicídio e apoiam a venda indiscriminada de armas. Isso cria um verdadeiro faroeste urbano e aumenta a sensação de insegurança.

Crise climática e negacionismo

Neste ambiente marcado por alterações climáticas, sentimos na pele temperaturas elevadas, vendavais e instabilidades. Apesar disso, elegemos cidadãos negacionistas que desacreditam das mudanças do clima e estimulam a exploração do meio ambiente. Criticamos órgãos governamentais, mas esquecemos que somos responsáveis pela escolha de nossos líderes.

Alienação política e social

Uma sociedade tomada por desequilíbrios emocionais e ódio transfere suas responsabilidades políticas. Muitos pobres defendem os interesses dos donos do capital, rejeitam sua identidade de classe e perpetuam sua pobreza estrutural. Esperamos, constantemente, um "salvador da pátria", repetindo padrões históricos de subserviência.