O prefeito de São José do Rio Preto, Coronel Fábio Candido (PL), exonerou três servidores comissionados ligados ao vereador Jorge Menezes (PSD), conforme atos publicados no Diário Oficial do município na quarta-feira, 16 de setembro de 2026. As demissões ocorreram um dia após a Câmara rejeitar um projeto de remanejamento de R$ 35,8 milhões do orçamento municipal.
Menezes, que votou contra a proposta e contra o pedido para adiar sua análise, interpretou as exonerações como uma reação política do governo. A relação entre as demissões e a votação é uma avaliação do vereador, não uma justificativa oficial apresentada para os atos.
Quem foram os servidores exonerados
Os três ocupavam cargos de livre nomeação e eram apontados como indicações políticas de Menezes:
- Claudinei Ribeiro: lotado na Secretaria de Meio Ambiente;
- Sandro José Falico: também vinculado à pasta de Meio Ambiente;
- Fernando Henrique de Oliveira: lotado em Serviços Gerais.
Menezes havia deixado o comando da Secretaria de Habitação para retornar à Câmara por determinação do PSD. A pasta passou a ser comandada interinamente por Ailton Catelan Júnior, também ligado ao vereador.
Projeto retiraria R$ 32 milhões da Saúde
A proposta do Executivo previa redistribuir R$ 35,8 milhões do orçamento de Rio Preto. Desse total, R$ 32 milhões sairiam da Secretaria da Saúde para outras cinco pastas.
Segundo relato publicado pela Coluna do Diário, o governo já sabia, na segunda-feira, 14, que não teria apoio suficiente para aprovar o projeto. A estratégia negociada com a base era aprovar um pedido de vista do vereador Jean Dornelas (MDB), adiando a votação.
Na sessão de terça-feira, 15, o pedido de vista terminou empatado. O presidente da Câmara, Luciano Julião (PL), deu o voto de desempate contrário ao adiamento. Levado à votação, o projeto recebeu 15 votos contrários e foi rejeitado.
Menezes vê exonerações como recado político
Em entrevista à Coluna do Diário na quarta-feira, Menezes afirmou acreditar que as demissões tinham o objetivo de sinalizar aos demais vereadores da base as consequências de votar contra o governo.
“Quiseram dar um recado. Os meninos são trabalhadores, cumpridores de horários, não tem outra justificativa”, declarou.
O vereador disse ainda que havia manifestado discordância durante a reunião com o governo, antes da sessão. Segundo ele, sua posição contrária à retirada de recursos da Saúde já estava definida naquele encontro.
Conselho de Saúde questionou a proposta
O Conselho Municipal de Saúde, presidido por Fernando Araújo, encaminhou à Câmara uma manifestação sobre o remanejamento. O colegiado também apresentou ao Ministério Público uma representação que questionava a legalidade da iniciativa.
O questionamento chegou ao promotor Sérgio Clementino na quarta-feira, 16. Como o projeto já havia sido rejeitado pelos vereadores, a representação foi arquivada.
