A Defensoria Pública de São Paulo solicitou à Prefeitura de Rio Preto explicações detalhadas sobre a desistência da instalação de um Restaurante Popular na região Norte da cidade. A cobrança surge após o cancelamento do projeto, que previa refeições a R$ 1, e já soma pedidos semelhantes feitos pelo Ministério Público e por vereadores.
Gasto público sem retorno
O restaurante municipal, inspirado no modelo Bom Prato, foi anunciado em 2023 durante a gestão do ex-prefeito Edinho Araújo. Desde então, foram gastos R$ 1,4 milhão em recursos públicos, incluindo verbas de emenda parlamentar. O atual governo, liderado pelo Coronel Fábio Candido, decidiu abortar a iniciativa alegando inviabilidade financeira após consulta ao Estado.
Dados alarmantes sobre fome
Para a Defensoria, o foco não deve ser apenas o dinheiro investido, mas o impacto social. Dados do Ministério da Saúde apontam que 2.639 domicílios em Rio Preto estão em risco de insegurança alimentar, afetando cerca de 5,6 mil pessoas. Segundo o CadInsan 2025, 12,9% das famílias do município enfrentam essa situação crítica.
Para esse público, uma refeição a R$ 1 não é luxo, mas uma necessidade que pode significar a diferença entre pagar contas ou ficar sem comida. Cancelar o serviço sem oferecer uma alternativa concreta é visto como insuficiente.
Crítica à resposta da prefeitura
A Prefeitura afirma que mantém o atendimento descentralizado nos 13 CRAS (Centros de Referência de Assistência Social) e que avalia novas possibilidades dentro das políticas de segurança alimentar. No entanto, a resposta não esclarece qual política substituirá o restaurante popular nem quando ela estará disponível para a população da região Norte.
A instituição sugere que os equipamentos já comprados possam ser destinados a escolas ou ao Banco de Alimentos para reduzir o prejuízo financeiro, mas alerta que isso não resolve o problema estrutural de acesso à alimentação. A Defensoria exige que a administração apresente metas, recursos e prazos claros para qualquer nova solução.
