Um país de contrastes

No domingo, os brasileiros voltam às urnas para escolher o presidente da República pelos próximos quatro anos. A campanha termina, mas os problemas estruturais permanecem. Independente de quem vença, o mandatário eleito terá um desafio claro: transformar as potencialidades do país em desenvolvimento real e melhoria na vida da população.

O cenário é complexo. O novo líder precisará lidar com uma economia pressionada, insegurança pública organizada e uma sociedade dividida. A estabilidade institucional será a chave para converter promessas de campanha em resultados concretos.

Economia e contas públicas

O equilíbrio das contas públicas está entre as prioridades mais urgentes. O alto endividamento do Estado e o crescimento das despesas obrigatórias limitam o espaço para investimentos públicos. Para avançar, será necessário equilibrar responsabilidade fiscal, controle da inflação e redução dos juros, sem abrir mão do crescimento econômico.

A meta também inclui gerar empregos de qualidade e atrair investimentos privados. Tudo isso exige previsibilidade para quem produz e empreende, criando um ambiente seguro para negócios de longo prazo.

Segurança e crime organizado

A segurança pública enfrenta uma evolução perigosa. O crime organizado não atua mais apenas no ilícito; ele infiltrou-se em atividades econômicas lícitas, operações financeiras e no ambiente digital. Combater essa ameaça exige inteligência policial qualificada e cooperação entre União, estados e municípios.

Além disso, é preciso combater a lavagem de dinheiro, fortalecer o policiamento ostensivo contra a violência cotidiana e resolver a crise do sistema prisional. O controle das fronteiras e políticas eficazes de prevenção são itens indispensáveis na agenda.

Serviços essenciais e infraestrutura

Na educação, o foco sai do acesso e vai para a qualidade. É urgente recuperar defasagens de aprendizagem, valorizar professores e melhorar a formação técnica dos jovens. Na saúde, o envelhecimento da população e o aumento de doenças crônicas pressionam o SUS. Filas por consultas e cirurgias indicam a necessidade de organizar melhor a rede e investir em prevenção.

A infraestrutura também pende. Deficiências em rodovias, ferrovias, portos e saneamento elevam custos e prejudicam a qualidade de vida. Modernizar esse setor, aliado à inovação e à segurança jurídica, é fundamental para aumentar a produtividade do país.

Governabilidade no Congresso

Por fim, o desafio político. O próximo presidente precisará construir uma relação funcional com o Congresso Nacional. Respeitar a independência dos Poderes e negociar com base em interesses comuns será vital. Em uma sociedade marcada por divergências profundas, a capacidade de governar e aprovar leis definirá o sucesso ou o fracasso da administração.