Crise de confiança institucional
A pesquisa Atlas/Estadão, divulgada nesta terça-feira (22), aponta que 81% dos brasileiros não confiam no Congresso Nacional. O índice representa uma deterioração expressiva em relação a janeiro de 2023, quando 57% dos entrevistados manifestavam desconfiança. Apenas 8% afirmam confiar na instituição.
O Supremo Tribunal Federal (STF) também registra altos índices de descrédito, com cerca de 60% dos cidadãos não confiando na Corte. No entanto, há uma diferença fundamental: ministros do STF são nomeados, enquanto deputados e senadores são escolhidos diretamente pelo eleitor.
O paradoxo eleitoral
O editorial destaca o paradoxo de a mesma população que rejeita o Congresso ser a responsável por eleger seus membros. As eleições de 4 de outubro exigem seis escolhas: deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente.
O risco apontado é que, diante da polarização presidencial, os votos para o Legislativo sejam tratados como secundários ou definidos a reboque das preferências executivas. Especialistas alertam que o voto para deputado e senador deve ter atenção individualizada.
Papel do Legislativo e responsabilidade do eleitor
Deputados e senadores aprovam leis, fiscalizam o Executivo e participam da definição do Orçamento. O Senado ainda aprova autoridades indicadas pelo governo e julga processos de responsabilidade contra ministros do STF e o presidente da República.
A insatisfação com o atual cenário político não pode ser terceirizada. A resposta está na capacidade do eleitor de conhecer a trajetória, alianças e histórico dos candidatos antes de apertar o número na urna.
