Reflexão sobre o jogo e o divino
O colunista Romildo Sant’Anna publica nesta sexta-feira (8) a coluna “Deus intermitente”, no Diário Classic. O texto convida o leitor a refletir sobre a relação entre fé, ciência e literatura.
A matéria aborda o livro O Fazedor (1960), de Jorge Luís Borges. A obra traz dois sonetos interligados sobre o jogo de xadrez, intitulado Ajedrez. Nele, as peças representam dominações sociais: os peões simbolizam o povo sacrificado, os cavalos a guerra, os bispos a Igreja, e as torres os palácios.
Física e teologia
Sant’Anna cita o físico e filósofo Bernard D’Espagnat para discutir a natureza da realidade. Admitindo a crença newtoniana e o relativismo einsteiniano, D’Espagnat afirma: “de fato, Deus é que joga os dados” nos tabuleiros do mundo.
Essa visão sugere, com Borges, que o Criador atua como uma força inamovível e eterna. No instante do jogo, o xadrezista aparece como um estrategista prepotente, mas sob uma lógica maior.