No Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, educadores de Rio Preto e região compartilham suas experiências sobre as mudanças na educação. A reportagem do Diário da Região mostra como profissionais de diferentes gerações lidam com a tecnologia, a necessidade de engajar os alunos e o impacto transformador da docência.
Tecnologia e o novo papel do professor
A professora Edivânea Antonia Paiva Ribeiro, de 47 anos, atua há quase duas décadas em Rio Preto. Atualmente lecionando o 4º ano do Ensino Fundamental I, ela destaca que, embora a tecnologia ofereça respostas rápidas, o papel do professor continua essencial para um aprendizado profundo. "Persistimos na missão de ensinar", afirma.
Para Edivânea, a sala de aula é um espaço de troca constante. Ela acredita que a educação pública abriu portas para sua vida e quer deixar aos alunos a marca da perseverança. "Aprendemos todos os dias, especialmente com os alunos", celebra.
Deslocamento e inclusão digital
Jackeline Sorroche Kawata, professora de artes, viaja de segunda a sexta-feira entre Rio Preto e Guapiaçu. Com 13 anos de carreira, ela observa que o docente deixou de ser a única fonte de informação para atuar como guia. Segundo Jackeline, ferramentas de inteligência artificial ajudam alunos tímidos a sanarem dúvidas, funcionando como uma ponte para a inclusão.
Tradição médica e formação de médicos
José Francisco Gandolfi, cirurgião gastroenterologista e professor da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), completa 53 anos de carreira. Integrante da primeira turma da faculdade (1968-1973), ele participou da formação de 50 turmas de médicos. Gandolfi nota a evolução tecnológica na medicina, que elevou a expectativa de vida brasileira de 48 para 76,6 anos nos últimos 50 anos.
"O testemunho da sua vida é o que fica na vida de cada estudante", diz o professor, destacando que a formação exige não apenas técnica, mas consciência sobre a responsabilidade humana.
Dinastia de professores
O professor de Educação Física Beto Brandão, de 67 anos, e sua filha, Bárbara Brandão Figueiredo, professora de Matemática, de 42 anos, representam duas gerações unidas pela docência. Beto, ex-atleta, usa jogos e brincadeiras para incluir todos os alunos. Bárbara, apesar de crescer em meio à tecnologia, prefere uma abordagem mais tradicional, mas valoriza a flexibilidade dos jovens.
Bárbara reconhece ter herdado do pai a alegria em dar aulas: "Meu pai sempre deu aula muito feliz. É mais fácil criar vínculos com bom humor". O orgulho é recíproco, com Beto destacando o talento da filha em fazer os alunos se apaixonarem pela matemática.
