Abertura política gradual
A chamada redemocratização no Brasil não foi um ato único, mas um processo complexo iniciado há mais de 50 anos. O movimento começou durante o governo do general Ernesto Geisel (1974), com uma abertura política lenta. Essa fase incluiu o fim do bipartidarismo e a anistia para exilados e perseguidos políticos.
O fim da ditadura militar
Em 15 de janeiro de 1985, o país estava prestes a encerrar 21 anos de regime militar. A eleição indireta de Tancredo Neves pelo PMDB reacendeu a esperança de uma democracia duradoura. A escolha foi feita pelo Colégio Eleitoral, pois a Emenda Dante de Oliveira, que exigiria voto direto, havia sido rejeitada pela Câmara dos Deputados.
Antes disso, milhões de brasileiros haviam saído às ruas nas manifestações das "Diretas Já". Sem a aprovação da emenda, a oposição disputou o poder pelas regras vigentes. Tancredo venceu Paulo Maluf por 480 votos contra 180.
Crise sucessória e posse de Sarney
A celebração foi interrompida dramaticamente. Na véspera da posse, Tancredo Neves foi hospitalizado e faleceu em 21 de abril de 1985, sem assumir o cargo. Isso gerou uma controvérsia jurídica: quem deveria assumir a Presidência?
Havia risco de nova deliberação do Colégio Eleitoral ou até mesmo a ocupação interina pelo presidente da Câmara, Ulysses Guimarães. No entanto, prevaleceu a visão política de que a chapa eleita era uma unidade indissociável. Ulysses apoiou a posse de José Sarney, vice de Tancredo, para evitar instabilidade e garantir a transição.
Democracia como construção diária
O texto finaliza argumentando que a democracia não é uma obra concluída. Sua preservação depende menos de discursos grandiosos e mais da prática cotidiana das regras republicanas. Questiona-se o uso retórico do termo "redemocratização", sugerindo que ajustes nos mecanismos existentes e a escolha de políticos íntegros são suficientes para manter o sistema funcionando.
