Campanha marcada por ausências

O cancelamento do debate presidencial na Globo na última quinta-feira (1º) evidencia uma disputa eleitoral que priorizou polêmicas vazias em vez de discutir o futuro do país. A emissora optou pelo cancelamento após sucessivas decisões judiciais do TSE e do STF, que impuseram condições de última hora para a participação dos candidatos.

Essa não é uma situação inédita desde a redemocratização. Em 1989, Fernando Collor recusou-se a debater; em 1998, FHC não foi a nenhum confronto; e Lula só participou de um debate no segundo turno em 2006. Desta vez, however, a intromissão do Judiciário gerou insegurança jurídica e limitou a liberdade da imprensa em organizar o evento.

Falta de propostas concretas

A campanha chegou ao fim do primeiro turno com pouca disposição dos candidatos para encarar perguntas difíceis. Temas cruciais como segurança pública, saúde, educação, emprego e custo de vida pedem explicações claras, mas ficaram em segundo plano.

  • O espaço foi ocupado por boatos infundados, como a falsa notícia sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida.
  • Houve ausência de debates focados em políticas públicas reais.
  • Priorizou-se o ataque aos adversários em vez da exposição de planos de governo.

Desafio ao eleitor

O editorial questiona se o votante sabe realmente o que seu candidato pretende fazer ou se está apenas atento a slogans e ataques nas redes sociais. Os problemas estruturais do país — violência, filas na saúde e desafios educacionais — não se resolvem com vídeos curtos ou discursos vazios.

O resultado das urnas entrega poder. O alerta é para que o eleitor tenha consciência plena antes de votar, evitando entregar o destino do país às cegas devido à fraqueza desta campanha específica.