Faltando poucos dias para o segundo turno das eleições, a promessa de melhorar a educação aparece como unanimidade nos discursos dos candidatos. É uma proposta simpática e necessária, mas levanta uma questão crucial para o eleitor brasileiro: educação para quê?

Nenhum país se desenvolve apenas colocando mais pessoas na escola. A educação é fundamental, mas precisa encontrar um ambiente econômico capaz de transformar conhecimento em produtividade, inovação, empresas e empregos.

O erro de começar pelo fim

As nações que alcançaram elevados níveis de desenvolvimento não fizeram isso apenas construindo escolas. Elas criaram, ao longo do tempo, instituições mais confiáveis, mercados dinâmicos, segurança para investir e condições para que empreendedores transformassem ideias em negócios.

O Brasil frequentemente parece querer começar pelo fim. Promete uma educação cada vez melhor, mas mantém um ambiente de negócios marcado por burocracia, insegurança jurídica, complexidade tributária e dificuldades para quem deseja empreender.

Risco de 'fuga de cérebros'

Imagine, então, que conseguíssemos oferecer aos brasileiros a melhor educação do mundo. Formaríamos excelentes engenheiros, cientistas, técnicos, programadores e profissionais de todas as áreas. Mas onde eles trabalhariam? Quem criaria as empresas capazes de absorver seus conhecimentos?

Se o mercado continuar engessado, poderemos estar financiando, com dinheiro dos brasileiros, a formação de talentos para economias que oferecem melhores oportunidades. Isso vale tanto para o cenário nacional quanto para cidades como Rio Preto, que precisam reter seus jovens qualificados.

A pergunta certa para os candidatos

Por isso, ao avaliar os candidatos, talvez devêssemos perguntar menos “quem promete melhorar a educação?” e mais “quem criará as condições para que o brasileiro educado possa prosperar no Brasil?”

Educação é o combustível. Mas é preciso haver uma economia capaz de transformar esse combustível em movimento. Sem essa sinergia, corremos o risco de ter uma população altamente escolarizada, mas subutilizada.