Responsabilidade além da vitória

O resultado das urnas deste domingo, 25 de outubro de 2026, define quem conduzirá os destinos do Brasil pelos próximos quatro anos. Independentemente de quem sair vitorioso no segundo turno da eleição presidencial, o desafio que se impõe a partir de então será maior do que o de administrar o País: será o de governar para todos os brasileiros, inclusive aqueles que não depositaram voto no candidato eleito.

Polarização vs. Democracia

A disputa eleitoral é, por natureza, um espaço de divergências. Candidatos apresentam visões distintas sobre economia, políticas sociais, segurança pública e o papel do Estado. Cabe ao eleitor avaliar as propostas e escolher aquela que considera mais adequada. A existência de diferentes correntes de pensamento é parte essencial da democracia.

O problema surge quando a divergência deixa de ser confronto de ideias e passa a alimentar a intolerância, o ressentimento e a incapacidade de reconhecer no outro um cidadão com os mesmos direitos.

Exemplo histórico de reconciliação

A história oferece exemplos de que é possível escolher outro caminho. Nelson Mandela passou 27 anos preso pelo regime do apartheid na África do Sul. Ao sair da prisão, em 1990, em vez de fazer da revanche o centro de sua atuação política, dedicou-se às negociações que permitiram a transição democrática e à construção de um país no qual antigos adversários precisariam aprender a conviver.

  • Mandela escolheu a reconciliação em vez do ódio;
  • O foco foi impedir que injustiças passadas inviabilizassem o futuro;
  • A construção da nação exigiu diálogo com antigos inimigos.

Papel da oposição e do governo

É nesse sentido que o presidente eleito terá de demonstrar que a vitória nas urnas não representa a autorização para governar apenas para o grupo que o apoiou. A Presidência da República não pertence a uma parcela do eleitorado. É uma instituição a serviço de toda a população e isso significa respeitar quem pensa diferente, preservar as instituições democráticas e formular políticas públicas que considerem as necessidades de brasileiros com realidades, opiniões e expectativas distintas.

À oposição, por sua vez, caberá exercer seu papel com independência e responsabilidade, fiscalizando o governo, apontando erros e apresentando alternativas.

Convivência no respeito

O Brasil não precisa que todos pensem da mesma maneira. Precisa que as divergências possam coexistir sem comprometer o respeito, os direitos e a vida em comum. O presidente eleito terá uma responsabilidade decisiva nessa tarefa.