Escolha com peso histórico

Neste domingo (4), o brasileiro vai às urnas para definir quem governará o país a partir de 1º de janeiro de 2027. A decisão envolve presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Embora o ato de votar leve apenas alguns segundos, os impactos dessa escolha se estenderão por anos.

A disputa presidencial está polarizada, como nas eleições de 2018 e 2022. No entanto, o editorial alerta que o Congresso Nacional terá um peso equivalente, ou até maior, na definição dos rumos do país, embora muitas vezes seja negligenciado pelo eleitor.

Desconfiança na política

O mal-estar com a classe política é evidente. Dados do Datafolha, divulgados em setembro, indicam que 45% dos entrevistados desconfiam do Congresso e dos partidos. A campanha ocorre com ânimos acirrados e uma confiança pública em baixa.

O texto aponta que personalismo, alianças sem coerência e promessas sem explicação sobre seus custos alimentam esse descrédito. A polarização tende a reduzir a escolha a um gesto de oposição, encurtando o horizonte de soluções para os problemas estruturais do país.

Papel do Legislativo

Deputados e senadores são responsáveis por fazer leis, fiscalizar o Executivo e decidir prioridades que afetam o cotidiano. O editorial recomenda que o eleitor avalie não apenas a fama ou conveniência, mas o histórico, as propostas e a capacidade de prestação de contas de cada candidato.

Votar em parlamentares escolhidos por indicação de última hora ou laços pessoais contribui para um Congresso considerado medíocre e pouco republicano. A incoerência entre reclamar da política e escolher pelos mesmos critérios que a alimentam é apontada como um risco à democracia.

Responsabilidade final

Não existe tecla de "desfazer" após o fim da eleição. Reclamar dos governantes eleitos não adianta se a escolha foi feita sem reflexão mínima. Ao apertar a tecla da urna, o cidadão assume responsabilidade direta pelo país que encontrará após o fechamento das pesquisas.