Coronel quer descanso, mas política não para
O prefeito de Rio Preto, Coronel Fábio Candido (PL), tem uma agenda simples para este domingo, 4 de outubro de 2026: votar às 11h. Segundo a assessoria, ele pretende passar o restante do dia em família. No entanto, o silêncio da campanha não significa ausência de pressão. O desempenho dos candidatos nas urnas vai ditar o futuro político do prefeito até 2028.
Mesmo sem estar disputando um cargo diretamente neste turno, as eleições locais influenciam quem serão seus aliados e adversários na próxima gestão. A disputa pela Prefeitura de Rio Preto já começa a ser desenhada agora, antes mesmo do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Aliados e rivais definem o tabuleiro
A apuração deste domingo organiza o cenário para 2028. Nomes como Edinho Araújo (federal) e os estaduais Itamar Borges, Valdomiro Lopes, Danilo Campetti, Coronel Helena e João Paulo Rillo representam grupos distintos com os quais o prefeito terá de negociar ou enfrentar.
A estratégia de Coronel Fábio de lançar cinco deputados estaduais sem liderar nenhum deles revela uma tentativa de evitar o surgimento de novas lideranças locais, em vez de fortalecer um grupo amplo. Além disso, aliados como Luiz Carlos Motta (deputado federal) e Fábio Marcondes (vice-prefeito) têm autonomia própria e forte ligação com a base nacional do PL, liderada por Valdemar Costa Neto.
Incertezas sobre o PL e Tarcísio
O destino do prefeito no partido depende, em parte, do resultado da disputa presidencial. Se o clã Bolsonaro vencer, Coronel respira aliviado quanto à permanência na legenda. Caso contrário, há risco de conflitos internos, especialmente com o vice-prefeito, que pode buscar espaço para a reeleição.
No estado, o governador eleito, Tarcísio Freitas (Republicanos), priorizou alianças estratégicas em todo o São Paulo e nem sequer passou por Rio Preto durante a campanha. Isso deixa o prefeito isolado em relação ao governo estadual, dependendo apenas dos resultados locais para manter seu protagonismo.
Dobradas e disputas judiciais
As chamadas "dobradas" entre candidatos federais e estaduais foram cruciais. Em Rio Preto, Luiz Carlos Motta e Danilo Campetti se destacaram como os principais articuladores. Já Edinho Araújo ampliou parcerias locais, incluindo o ex-prefeito de Olímpia, Fernando Cunha.
Além da política, Coronel Fábio enfrenta desafios jurídicos. Ele foi convocado para prestar esclarecimentos na CPI da Casa Branca na próxima quinta-feira, 8, sobre um convênio de R$ 11,9 milhões com a Santa Casa, cancelado posteriormente. Paralelamente, a Justiça bloqueou recursos do hospital e de empresas ligadas ao caso.
Outra tensão envolve a Coopec, cooperativa de ensino. A prefeitura entrou com ação judicial para reivindicar parte do imóvel onde a escola funciona, alegando necessidade de uso público. A cooperativa reagiu com indignação, afirmando que a área é essencial para suas atividades e questionando a legalidade da investida sem indenização prévia.
