Palanque acima da pauta
O segundo turno das eleições no Brasil aconteceu com pouquíssimo debate sobre os reais problemas do país. Em vez de discutir soluções para o bem-estar da população, a campanha ficou presa ao palanque. Nenhum candidato apresentou projetos de governo ou de Estado de médio e longo prazo.
Questões cruciais ficaram em segundo plano: reforma da Previdência, saúde, educação, saneamento básico, infraestrutura, segurança pública e até a estrutura do Judiciário. O foco foi puramente eleitoral.
Economia estagnada e juros altos
A situação econômica reforça a urgência dessas discussões. Enquanto os EUA pagam uma taxa real de juros de 3% ao ano, o Brasil está próximo de 10%. A dívida pública já ultrapassou 80% do PIB. Qualquer dia, a economia pode travar.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) mostra dados alarmantes: entre 1980 e 2025, o PIB per capita global cresceu 675%. No mesmo período, o brasileiro avançou apenas 428%, menos de dois terços da média mundial.
Ranking de competitividade piora
O Brasil caiu sete posições no último Ranking Mundial de Competitividade, feito pelo IMD e pela Fundação Dom Cabral. O país ficou em 65º lugar entre 70 economias, à frente apenas de Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela.
- Chile: 43º
- Porto Rico: 52º
- Argentina: 58º
- Colômbia: 59º
- México: 62º
O desempenho na "eficiência governamental" foi ainda mais ruim: penúltimo lugar, 69º entre 70 países. A ineficiência do Estado é raiz de problemas como a baixa qualidade da educação básica.
Escolhas duras necessárias
Diferente de China e Coreia do Sul, que investiram pesado em educação e tecnologia, o Brasil insiste em estratégias de curto prazo, como estímulo ao consumo imediato. O país tem capital humano, território e energia limpa, mas precisa fazer as escolhas certas para sair do atoleiro.
