O pacto da indiferença

O brasileiro, e o eleitor de São José do Rio Preto não é exceção, costuma repetir com convicção que detesta política. É como uma alergia declarada: todos os políticos são iguais, não assiste a debates e acha que o país está sem saída. Quando começa o horário eleitoral gratuito, o gesto é quase automático: torce o nariz, troca de canal e ignora as bandeirolas no centro da cidade.

A propaganda muda o jogo

Essa resistência dura pouco. A campanha entra de mansinho, começando com uma declaração ouvida no rádio ou um meme no grupo de trabalho. Em pouco tempo, a semente da discórdia já brotou. O sujeito que jurava não se meter com nada passa a gastar minutos explicando por que o plano de governo de determinado candidato é a única solução.

Da repulsa ao fanatismo

A transformação é completa quando o eleitor ajusta sua aparência seguindo a cartilha visual do partido. O pragmatismo vira paixão cega. Até o vizinho, antes amigo, vira adversário ideológico só por ter colocado uma bandeira na varanda. Na reta final, a razão dá lugar ao torcedor fanático, que acompanha as pesquisas como se fosse o placar de um campeonato.

A volta à realidade

No domingo, o voto é dado com a camisa da cor exigida, peito estufado. Se vencer, há gritos e buzinaços; se perder, luto absoluto e culpa aos outros. Tudo isso para que, na segunda-feira de manhã, ao olhar os papéis ainda na rua, o mesmo cidadão suspire e diga: "Eu? Eu não me meto com essas coisas. Detesto política".