Presença digital supera atuação presencial
A eleição de 2026 consolidou a entrada massiva de influenciadores digitais no Legislativo. Dados do jornal O Estado de S. Paulo indicam que quase 80% dos políticos com grande presença nas redes foram eleitos. Destes, oito entre os dez mais visíveis são filiados ao Partido Liberal (PL).
O cenário local reflete essa tendência nacional. Na região de Rio Preto, deputados federais e estaduais eleitos tiveram votação expressiva sem sequer ter realizado campanha presencial na cidade. O caso mais emblemático é o do deputado federal Lucas Pavanato (PL) e da deputada estadual Eduarda Campopiano (PL), que fizeram das plataformas online seu principal trunfo eleitoral.
Legitimidade vs. Competência
Embora as redes sociais sejam instrumentos legítimos de comunicação e mobilização, especialistas apontam um risco crescente. A disputa política aproxima-se da lógica das plataformas: segmentada, tribal e focada em interações rápidas.
O professor Camilo de Oliveira Aggio, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que basta aos candidatos dialogar com grupos específicos para garantir votos. No entanto, a legitimidade dada pelo voto não substitui a necessidade de competência técnica para formular propostas e fiscalizar o poder público.
- Curtidas não equivalem a projetos de lei aprovados;
- Millions de visualizações não substituem debates consistentes;
- Dancinhas e vídeos virais não resolvem problemas estruturais da população.
O desafio da bancada
Desqualificar esses parlamentares apenas pelo caminho digital seria um erro, pois eles ampliaram o alcance de pautas antes invisíveis nos meios tradicionais. O desafio agora é provar que o alcance conquistado nas telas se traduz em resultados concretos para os eleitores.
Se a popularidade digital não for acompanhada de trabalho parlamentar efetivo, corre-se o risco de manter uma representação baseada em autopromoção, distante da realidade que precisa ser resolvida nas ruas de Rio Preto e região.
