A expansão do ensino integral nas escolas públicas de Rio Preto avança, mas traz desafios importantes. Dados revelam crescimento expressivo nos anos finais do fundamental e no ensino médio, enquanto os anos iniciais sofrem um retrocesso significativo. A Secretaria da Educação de São Paulo anuncia novas vagas, mas o foco agora deve ser a qualidade pedagógica e o equilíbrio entre as etapas.
Avanço nos anos finais
Em 11 anos, a modalidade de ensino integral em Rio Preto alcançou um em cada quatro estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio. Esse crescimento é visto como positivo diante dos desafios de permanência, aprendizagem e proteção social que adolescentes enfrentam na cidade.
Retrocesso nos anos iniciais
Apesar do avanço geral, os dados apontam uma contradição preocupante. As matrículas integrais nos anos iniciais caíram 71,5%, despencando de 15,73% para apenas 4,10%. Especialistas alertam que essa etapa é decisiva para a alfabetização e a construção das bases da aprendizagem, exigindo atenção imediata das autoridades educacionais.
Qualidade acima da quantidade
Permanecer mais horas na escola não garante, por si só, uma educação melhor. O tempo adicional precisa ser convertido em atividades reais de aprendizagem, cultura, esporte e acompanhamento pedagógico. A infraestrutura, a formação dos profissionais e a capacidade de atender às necessidades individuais dos alunos são tão importantes quanto a duração da jornada.
Cuidado com adaptações
A expansão anunciada pela secretaria estadual pode representar uma oportunidade, desde que venha acompanhada de planejamento. Há ponderações, inclusive da Apeoesp, sobre possíveis impactos da conversão de escolas regulares. É preciso evitar que a iniciativa reduza alternativas para estudantes trabalhadores e para a Educação de Jovens e Adultos (EJA).
