Os termos "direita" e "esquerda" são usados diariamente no debate político brasileiro, mas há grande ignorância sobre sua origem real e aplicação correta. Segundo Laerte Teixeira da Costa, vice-presidente da UGT e ex-vereador em São José do Rio Preto, a moda de rotular tendências políticas é inadequada e distante da realidade.

Origem histórica

A divisão remonta à Revolução Francesa. Na Assembleia Geral, os nobres, o clero e os monarquistas sentavam-se à direita do presidente. Já os grupos reformistas, que queriam limitar ou acabar com o poder real, ocupavam os assentos à esquerda. Essas posições viraram símbolos para externar visões de mundo diferentes.

Com o tempo, cada país adaptou esses conceitos conforme seus conflitos e interesses locais. Em muitos lugares, os significados originais se perderam, servindo apenas para pavimentar objetivos políticos específicos.

No Brasil e na região

No Brasil, as expressões estão na moda e viraram motivo de desconfiança. A mídia adotou as etiquetas, transformando eleições em um jogo de braço entre adeptos de um lado e outro. Isso já gerou conflitos e até agressões em defesa de espectros políticos.

Políticos ajudam a fixar essas percepções ao se autodefinirem por um dos campos, dificultando mudanças de opinião. No entanto, especialistas alertam que não existe esquerda ou direita pura.

O que dizem os especialistas?

Laerte cita Norberto Bobbio e seu livro "Direita e Esquerda: Razões e Significados de uma Distinção Política" (1994). O autor aponta que há um amplo leque entre a ponta esquerda e a ponta direita, onde as pessoas se localizam conforme sua formação escolar, profissional ou cultural.

  • Esquerda: Defende a igualdade social, tende ao estatismo e admite a assistência social.
  • Direita: Vê as desigualdades como naturais, inevitáveis e benéficas, sendo mais privatista.

Não há posições estáticas. É comum que um lado assuma ideias do outro, gerando sínteses ou soluções quando os conflitos são civilizados. A discussão não é simplista, e brigar por rótulos não vale a pena.

Para os moradores de São José do Rio Preto e região, o conselho é votar tranquilo nas eleições de 25 de outubro, sem a expectativa de que uma única eleição vá "consertar o Brasil".