Democracia e riqueza

O artigo "A democracia e a riqueza", publicado por Erasmo Dantas em 07/11/2026, analisa o caminho do Brasil desde a redemocratização em 1985. O autor aponta que, embora tenhamos avançado na política com eleições diretas e referendos, a sociedade ainda não define democraticamente como distribuir os lucros gerados pelos recursos nacionais.

Dantas lembra que a Constituição de 1988 parecia prometer um novo patamar de bem-estar social, mas problemas econômicos e hiperinflação acabaram desviando o foco. Hoje, a imprensa e influenciadores muitas vezes guiam o debate público por vieses ideológicos, criando heróis e vilões sem investigar as causas reais das desigualdades.

Recursos naturais como patrimônio de todos

O texto destaca que o Brasil possui petróleo, nióbio, minério de ferro, terras raras e potencial na preservação sustentável da Amazônia. No entanto, apenas possuir esses recursos não basta. É preciso decidir coletivamente se eles serão usados para reduzir o déficit habitacional, melhorar a saúde ou abreviar o tempo de contribuição previdenciária.

Ao contrário do que alguns argumentam ao defender a privatização total para evitar corrupção, Dantas cita exemplos de economias capitalistas bem-sucedidas. A Noruega e o Alasca (EUA) usam fundos soberanos financiados por recursos naturais para devolver benefícios à população. Países nórdicos e a Inglaterra também servem de modelo em serviços públicos estruturados.

Fim do assistencialismo

O autor conclui que, enquanto não houver uma definição democrática sobre o destino dessas riquezas, o país continuará reproduzindo dependência e assistencialismo. Políticas sociais autênticas devem criar um piso de garantias básicas — saúde, educação, infraestrutura e segurança de renda — para que as pessoas possam contribuir ativamente para gerar riqueza, saindo da miséria sem perder seu capital humano.