Oferta proporcional maior que na capital

O mercado imobiliário de São José do Rio Preto enfrenta um cenário que exige atenção. Dados revelam que, proporcionalmente ao tamanho da população, a cidade já possui mais estúdios disponíveis por habitante do que a capital paulista. Enquanto São Paulo tem 91 estúdios em estoque a cada 100 mil habitantes, Rio Preto chega a 98.

Um levantamento da área de inteligência do setor aponta que, atualmente, existem 492 unidades desse tipo (estúdios e um dormitório) disponíveis na região. A metragem média gira em torno de 35 m² a 36 m², configurando um padrão de compactação que se tornou comum no Brasil.

Risco de saturação e absorção lenta

A comparação com São Paulo serve como termômetro. Na capital, o estoque de até 30 m² cresceu 71% nos últimos 12 meses, totalizando 10,9 mil unidades, o que daria para cobrir 1 ano de vendas no ritmo atual. Se aplicarmos essa mesma lógica de absorção per capita para Rio Preto, o estoque local levaria cerca de 13 meses para ser zerado apenas pelas vendas atuais.

Além disso, 85% do estoque vertical de alto padrão disponível na cidade vem de lançamentos de 2025 e 2026. Isso indica uma aceleração forte nos empreendimentos recentes, mas também sinaliza que o mercado precisa monitorar de perto a capacidade de absorção desses novos imóveis.

Contexto local e planejamento estratégico

A tendência de construir menores não é exclusiva do interior, sendo reflexo do que ocorre nas grandes metrópoles. No entanto, especialistas alertam que o que funciona em uma cidade de 12 milhões de habitantes pode não ter a mesma dinâmica em uma cidade de 500 mil moradores como Rio Preto.

A recomendação para o mercado é clara: antes de definir o produto, é preciso entender a demanda, o território e o uso real dos espaços. Construir menor não deve significar pensar menos sobre quem vai ocupar o imóvel. O desenvolvimento de novos projetos em Rio Preto deve priorizar bairros bem conectados a empregos e serviços, garantindo que a expansão do mercado seja sustentável e atenda às reais necessidades da população local.