Distrito único muda as regras
Na eleição proporcional de lista aberta, o distrito é o Estado inteiro. Isso significa que um candidato a deputado que pede voto em Rio Preto está disputando vaga com políticos da Capital, do ABC, de Campinas e de todo o interior. Por isso, a estratégia de campanha pesa mais do que apenas o currículo acadêmico ou profissional.
Cada político escolheu seu caminho para tentar garantir uma das vagas disponíveis. Veja as principais táticas observadas nesta temporada eleitoral.
1. O voto de opinião
A primeira estratégia é depender de uma onda nacional. Em 2018, Janaína Paschoal teve 2,06 milhões de votos, sendo a mais votada em Rio Preto com 29,7 mil votos. Ela era candidata paulistana, sem base local, beneficiada pela onda bolsonarista.
Não há nada ilegal nisso, mas para uma cidade do porte de Rio Preto, depender desse tipo de voto externo não costuma gerar orgulho institucional. Quem faz campanha assim dispensa comitês locais e apoio do prefeito; precisa apenas de uma 'onda' que não presta contas à população local.
2. Base territorial forte
A segunda opção é contar com raízes locais. Dois ex-prefeitos disputam este ano, um para federal e outro para estadual. Eles têm nome conhecido, apoiadores fiéis e estrutura eleitoral montada.
A leitura é clara: o candidato federal terá em Rio Preto o centro da sua votação, enquanto o estadual tende a render mais votos em toda a região circundante. O teste será ver até onde essa base ultrapassa os limites da cidade.
3. Presença constante (o método silencioso)
A terceira estratégia é a mais antiga e silenciosa: manter relação constante com a base fora do calendário eleitoral. É aparecer todo ano, todo mês, trazendo serviços concretos para mostrar.
- O eleitor se fideliza ao associar o mandato a algo visível.
- Lideranças locais ganham crédito pelo que chega ao município e viram quadros formados por aquele candidato.
O preço é alto e o retorno é lento, pois depende de anos de presença. Embora emendas parlamentares sejam um critério parcial, elas têm a vantagem de serem conferidas em fonte pública.
4. A armadilha da 'dobradinha'
No extremo oposto está o candidato que só surge de quatro em quatro anos, tentando compensar a falta de construção prévia com uma campanha intensa. Já a chamada 'dobradinha' só funciona bem com território definido.
Um candidato federal que se une a vários estaduais de regiões diferentes fortalece cada liderança regional. O inverso é problemático: um estadual que se une a vários federais no mesmo espaço pulveriza o potencial eleitoral e desanima as parcerias, que não terão dedicação exclusiva.
Quem tenta abraçar todo mundo vira 'cachorro com muito dono'. Ninguém cuida direito da candidatura, e a tendência é que ela morra de fome nos votos.
O peso do prefeito
O apoio do prefeito atravessa todas essas estratégias. Como a eleição geral cai no meio do mandato municipal (2025 a 2028), ela funciona como um termômetro informal da gestão atual.
O limite é claro: quem vota para deputado leva em conta muitos fatores além do prefeito. Um candidato apoiado pela prefeitura pode ganhar por mérito próprio ou perder por motivos alheios. Só a apuração final, depois do dia 4, dirá se o apoio virou voto ou peso.
