O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, durante a assinatura de um acordo de cooperação técnica na Confederação Nacional da Indústria (CNI), que o Brasil não pode abrir mão dos Estados Unidos como parceiros comerciais, embora os americanos não tenham se mostrado grandes aliados.
“Nós não podemos abrir mão dos Estados Unidos, mas vamos lembrar que eles não têm se mostrado grandes aliados. De maio do ano passado para cá está difícil; a relação não está simples”, declarou no evento do acordo MDIC-Sistema Indústria.
Ministro aponta dificuldades com EUA e China
Rosa criticou as barreiras tarifárias americanas aos produtos brasileiros e também apontou a China como uma ameaça ao comércio nacional. Na avaliação dele, o Brasil enfrenta dificuldades nas relações com seus dois maiores parceiros comerciais.
“De um lado, nós temos um parceiro comercial que quer tomar o nosso mercado, e de outro, um parceiro comercial que se mostra hostil, com barreira tarifária aos nossos produtos”, afirmou, em referência à China e aos Estados Unidos, respectivamente.
O debate sobre acesso a mercados e proteção à produção nacional também integra o contexto econômico acompanhado por empresas de São José do Rio Preto e região. O discurso, porém, não apresentou medidas específicas para o noroeste paulista.
Defesa comercial e novos acordos
O ministro disse que o governo deve finalizar o acordo com o Canadá e que o Japão tem manifestado publicamente interesse em um acordo de livre comércio com o Brasil. Não foram informados prazos para a conclusão dessas negociações.
Para Rosa, o país precisa manter uma política industrial com mecanismos de defesa comercial. Ele avaliou que as mudanças no comércio internacional exigem instrumentos além de medidas como as antidumping para proteger a indústria brasileira.
Saldo comercial pode superar US$ 90 bilhões, projeta Rosa
Segundo o ministro, o Brasil acumulava cerca de US$ 55 bilhões de saldo comercial até o fim de agosto. A expectativa apresentada por ele é de encerrar 2026 com mais de US$ 90 bilhões.
Rosa citou esses números como motivos para manter a confiança no crescimento e no desenvolvimento do país.
Declaração também aborda crise no STF
No início do discurso, o ministro afirmou estar triste com os acontecimentos do dia anterior, sem mencionar diretamente o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de investigar o ministro Alexandre de Moraes.
“O que assistimos ontem não foi bom; ninguém é ingênuo a ponto de achar que isso não tem nenhuma implicação”, disse.
Questionado sobre se considerava protelatório o pedido de vista do ministro Flávio Dino, Rosa afirmou que não comentaria o caso em nome do governo.
