Julgamento começa nesta terça
O ex-bispo de Catanduva, Valdir Mamede, terá início seu julgamento nesta terça-feira (27), na 2ª Vara Criminal da cidade. O processo trata de acusações de importunação sexual contra um padre que atuava na Paróquia de São Sebastião, em Ibirá.
A denúncia do Ministério Público (MP) descreve episódios ocorridos entre 2019 e 2023. Os atos seriam teriam acontecido na residência episcopal, em Catanduva, e nas dependências da paróquia onde o sacerdote trabalhava.
Acusação detalha abusos
O promotor substituto Caíque Ducatti apresentou a denúncia em abril deste ano. Segundo o MP, Mamede usou sua autoridade religiosa e hierarquia para praticar os atos sem consentimento.
A acusação afirma que a aproximação começou sob o pretexto de cuidados pessoais, como depilação corporal íntima. O documento destaca que o padre estava em situação de vulnerabilidade psicológica e enfrentava ameaças veladas de punições canônicas, como transferência ou impedimento de exercer o ministério.
Episódios específicos
- Em setembro de 2022, o sacerdote foi chamado para dormir na residência episcopal para levar Mamede ao aeroporto de Rio Preto no dia seguinte. Naquela noite, conforme a acusação, o então bispo teria agarrado o padre e praticado atos sexuais à força.
- Há relatos de chamadas de vídeo com exposição sexual sem consentimento.
- Outro episódio ocorreu em 2023, na residência do sacerdote, em Ibirá.
Pedido de indenização
O Ministério Público pede a condenação por importunação sexual reiterada, com agravantes pelo exercício de autoridade sobre a vítima. Além disso, solicita a fixação de uma indenização mínima de R$ 300 mil por danos morais.
Dom Mamede renunciou ao cargo em março de 2024, após ser denunciado ao arcebispado de Ribeirão Preto, que era responsável pelas decisões eclesiásticas na região de Rio Preto na época.
