O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, retirou da pauta da sessão plenária marcada para a próxima quarta-feira (23) o julgamento de um pedido de investigação sobre a atuação do ministro André Mendonça como relator do caso Master. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (17).
Fachin afirmou que o plenário precisa definir previamente possíveis reuniões e a redistribuição dos processos relacionados aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça antes de retomar os julgamentos.
Interrupção na sessão de terça
A medida ocorre após a sessão extraordinária realizada na última terça-feira (15). Na ocasião, o decano do STF, ministro Gilmar Mendes, levantou uma questão de ordem sobre a abertura de investigações relacionadas ao suposto vínculo entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário anterior do Banco Master.
Gilmar Mendes argumentou que os pedidos de investigação são correlatos e devem ser analisados em conjunto. No entanto, o julgamento foi interrompido pelo pedido de vista do ministro Flávio Dino, quando o placar estava em 4 a favor de julgar separadamente e 3 contra.
Contexto das mensagens e tensões no STF
O caso Master envolve a Operação Compliance Zero, que apura corrupção e fraudes financeiras bilionárias atribuídas a Vorcaro. Em setembro, Mendonça, como relator, levantou o sigilo de um relatório da Polícia Federal contendo 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes entre 2023 e novembro de 2025.
Nas conversas, Vorcaro parece indicar proximidade com o ministro e menciona um contrato de R$ 131 milhões envolvendo o escritório da esposa de Moraes. Moraes nega ter mantido diálogo com Vorcaro e questiona a autenticidade das mensagens.
Durante a sessão de terça, houve troca de acusações entre Moraes e Mendonça. O primeiro acusou o relator de motivação política, enquanto Mendonça classificou as alegações como mentirosas.
