Recorde de violência e vítimas inocentes
O Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, marcando o quarto ano consecutivo com números recordes. A média é de mais de quatro mulheres mortas por dia. Além da perda das vidas, a tragédia deixou 1.653 crianças e adolescentes órfãos apenas neste período.
Dados do sistema de segurança indicam que para cada corpo recolhido pelos Institutos Médico-Legais (IML), foram computadas cerca de 500 ameaças, 182 lesões corporais e 84 violações de medidas judiciais contra as vítimas.
A casa como cenário do crime
A maioria dos assassinatos ocorreu dentro de residências, em 62,5% dos casos. Em 60,9% das ocorrências, o autor era companheiro ou ex-companheiro da vítima. Isso significa que o perigo muitas vezes conhece os endereços, os horários e possui acesso às casas onde as famílias vivem.
O feminicídio não termina com o sepultamento. Ele continua na cadeira vazia à mesa, nas reuniões escolares ausentes e nos aniversários marcados pela falta da mãe. Uma face cruel dessa violência é condenar os filhos a uma pena que nenhum juiz decretou.
Mudanças na legislação e desafios
Em resposta à escalada da violência, o Brasil endureceu sua legislação. Desde 2024, a pena prevista para o feminicídio é de 20 a 40 anos de reclusão. Internacionalmente, países como a Itália já adotaram a prisão perpétua para esse tipo de crime em 2025.
Especialistas apontam que a raiz do problema está na cultura. O feminicídio começa quando o controle é chamado de cuidado, a possessividade é romantizada e a violência encontra desculpas. É necessário educar meninos para dissociar masculinidade de domínio e exigir que adultos abandonem a cumplicidade silenciosa com agressores.
