O fim da escala de trabalho 6x1, oficializado pelo Congresso Nacional nesta sexta-feira (16), começa a gerar impactos reais em São José do Rio Preto e região. A redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com garantia de dois dias de descanso, obriga empresas dos setores de comércio, construção civil, serviços e alimentação a reorganizar suas equipes.
Construção civil e escassez de profissionais
Na construção civil, setor que consome muita mão de obra, a preocupação é a falta de trabalhadores qualificados. Rafael Coelho, diretor regional do SindusCon na região de Rio Preto, lembra que estudos indicam a necessidade de contratar cerca de 300 mil novos profissionais em todo o país para compensar a redução de horas.
Embora não haja número exato para a cidade, a tendência é que a dificuldade de contratação afete prazos de obras e aumente os custos dos empreendimentos. "A principal questão é: quem arcará com essa conta?", questiona Coelho, alertando que os preços finais podem subir se não houver disponibilidade de profissionais.
Comércio e alimentação: ajustes nos horários
No varejo, estabelecimentos que abrem aos sábados, domingos e feriados precisarão redistribuir turnos. Ricardo Ismael Di Lorenzo Arroyo, presidente do Sincomercio de Rio Preto, diz que as empresas não têm como absorver sozinhas o aumento das despesas trabalhistas e encargos.
"A orientação é diluir esse custo na conta do consumidor. Não existe mágica para a empresa arcar com isso", afirma. Já Márcia Caldas, presidente do Sincomerciários local, vê a mudança como positiva, comparando-a à adaptação necessária quando a escala 6x1 foi aprovada anteriormente.
Nos bares e restaurantes, o impacto varia conforme o perfil do negócio. Ronaldo Couto, do Sinhores, estima um aumento de até 10% nos custos operacionais. Locais com pico de movimento no almoço terão mais dificuldade em reorganizar escalas, enquanto casas noturnas podem recorrer a contratos intermitentes ou freelancers.
Economistas divergem sobre os efeitos
Enquanto empresários focam nos custos imediatos, economistas apontam benefícios de longo prazo. André Yano destaca que setores essenciais, como saúde e segurança, não podem reduzir carga de trabalho, obrigando contratações extras que repassam custos ao consumidor.
Por outro lado, Ary Ramos acredita que o tempo livre pode estimular turismo, cultura e lazer, embora o endividamento das famílias limite esse efeito agora. Hipólito Martins Filho ressalta que menos doenças e maior produtividade são ganhos naturais, mas alerta que o prazo de adaptação é curto demais para setores tão diferentes entre si.
