Primeira manifestação após desembarque

O senador Flávio Bolsonaro (PL) fez sua primeira aparição pública desde que deixou o Brasil na manhã desta quarta-feira, 28. Após pousar em Miami, nos Estados Unidos, ele compartilhou uma carta em que se autoproclamava o "verdadeiro presidente eleito do Brasil".

Poucos minutos depois, a mensagem foi alterada. O texto passou a usar a expressão "verdadeiro líder do Brasil", retirando a referência direta à presidência. A divulgação foi feita pelo influenciador digital Paulo Figueiredo.

Acusações sem provas e recuo no texto

No documento inicial, Flávio acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Partido dos Trabalhadores (PT) de promoverem uma fraude eleitoral. Ele alegou que a votação teria continuado mesmo com urnas lacradas, permitindo que Luiz Inácio Lula da Silva ganhasse mais de 10 milhões de votos entre o primeiro e o segundo turno.

A carta não mencionou que a própria campanha de Flávio havia pedido ao TSE a prorrogação do horário de votação em 17 cidades, sob a justificativa de que chuvas atrapalhariam os eleitores.

Além da mudança no título, o brasão no documento também foi trocado. A primeira versão usava "Estados Unidos do Brazil" (nome histórico pós-1889), enquanto a segunda utilizava "República Federativa do Brasil" (nome atual).

Reconhecimento oficial e contexto político

Enquanto Flávio divergia dos resultados, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o próprio partido PL e o vice na chapa derrotada, Alfredo Gaspar, já haviam reconhecido a vitória de Lula.

Na carta, o senador descreveu a si mesmo como perseguido político e vítima de uma "caça às bruxas". Ele negou ter fugido do país, afirmando que saiu para escapar de um "regime de exceção" e poder liderar a oposição dos Estados Unidos.

Flávio ainda agradeceu publicamente aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, pela ajuda recebida durante sua viagem, que passou pela Argentina antes de chegar aos EUA.