Em uma pausa no Diário Classic, o texto 'Fui votar e encontrei minha infância', de Julio Gil, traz memórias afetivas da cidade. O autor relata ter ido votar no mesmo colégio onde cursou do 1º ao 8º ano, um lugar central para sua juventude.
Ali, ele vivia dias intensos: estudava, fazia amizades e jogava futebol de salão quase diariamente. A paixão pelo esporte era tanta que pulavam o muro da quadra à noite para ligar os refletores e continuar a partida até de madrugada.
Lesões e o pronto-socorro
A rotina escolar também incluía brigas de interclasse e bagunças. Lesões eram comuns, e o pronto-socorro ficava a cerca de 200 metros do colégio. A enfermeira já conhecia os alunos de cor, tratando fraturas com dipirona e gesso.
Muitos voltavam a jogar pouco tempo depois, muitas vezes molhando o gesso na torneira da escola para retirá-lo mais rápido. Era uma época de muita energia e irresponsabilidade juvenil.
O reencontro com o passado
No dia da votação, o autor encontrou ex-colegas e funcionários. Reconheceu nomes como Evair, inspetor de alunos que apitava as partidas, mas demorou para associar esses nomes aos rostos adultos à frente dele.
Uma das conversas foi marcante: soube que Evair sofreu um acidente e ficou com sequelas que impedem a locomoção. Esse encontro trouxe uma reflexão profunda sobre a passagem do tempo e as mudanças na vida das pessoas.
A experiência deixou o autor pensando em que momento a infância passou e como ela ainda vive dentro dele, mesmo que o ambiente físico tenha mudado. A sensação é de estar em outro planeta, revivendo memórias enquanto observa a realidade presente.
