Brasil fragmentado pede unidade
O resultado das eleições recentes não surpreendeu quem acompanha as análises políticas, mas deixou um desafio enorme para o presidente eleito: pacificar e unir uma nação profundamente fraturada. Segundo o artista plástico e escritor Guilherme Vinhatico Cury, conhecido como Odamim, o país clama por uma postura 'ambidestra'. Isso significa um governo apto a operar tanto à direita quanto à esquerda, sendo funcional e entregando o que a sociedade espera.
A maioria silenciosa e a oposição
Cury aponta que há milhões de brasileiros com projetos diferentes para o país. Muitos se abstiveram ou anularam votos. Somados à oposição, eles formam a verdadeira maioria nesta democracia. Um chefe de Estado equilibrado vê o povo como uma nação única, sem ignorar a individualidade de cada cidadão.
O autor argumenta que a oposição política raramente nasce apenas da desinformação. Ela existe porque os indivíduos possuem princípios e fundamentos morais diferentes. Observar além do eixo unidimensional tradicional revela pontos positivos em cada ideologia abrigada.
Rejeitar a polarização como estratégia
Quem prioriza igualdade e justiça social também pode prezar pela lealdade ao grupo e respeito à autoridade. Para isso, é imperativo que as lideranças políticas rejeitem a polarização como estratégia de sobrevivência. O estadista deve atuar como mediador, traduzindo essa pluralidade de pensamentos num projeto unificado de país.
A síntese das melhores virtudes de cada grupo deve prevalecer sobre a hostilidade cega do pensamento tribal, onde o adversário é visto como inimigo a ser aniquilado. Exige-se maturidade para reconhecer que a virtude não é monopólio de uma única matriz ideológica, mas para tal é necessário ouvir o outro.
Sobre o autor
Guilherme Vinhatico Cury (Odamim) é artesão das Artes Plásticas, escultor, desenhista heráldico, ilustrador e poeta. Publicou este artigo no Diário da Região em 27/10/2026.
