Segredo da colônia

Um estudo publicado por pesquisadores do Centro de Medicina Molecular Max Delbrück, na Alemanha, descobriu o mecanismo que garante a ordem na sociedade dos ratos-toupeiras-pelados. A espécie, nativa do leste da África, vive em colônias com uma estrutura rígida liderada por uma única rainha reprodutora.

A base molecular dessa monarquia é o miristato de isopropila (IPM). Secretado pela rainha principalmente na urina, mas também nas fezes e saliva, esse composto age como um hormônio social que mantém as demais fêmeas estéreis e os machos submissos, sem necessidade de agressão física constante.

Experimentos revelam detalhes

Os cientistas, liderados por Gary Lewin, realizaram testes para entender a profundidade desse controle. Ao remover a rainha, mas manter a concentração de IPM no ambiente, a falta de agressividade na população se manteve por até 12 semanas.

No entanto, quando tanto a rainha quanto o IPM foram retirados, conflitos surgiram rapidamente, e outra fêmea assumiu o papel de líder reprodutora. Em outro teste, pares de roedores isolados não se reproduziam enquanto expostos ao composto, mas voltaram a fazê-lo assim que a substância foi removida.

Uso em cosméticos e segurança humana

O IPM já tem aplicação conhecida fora da biologia: ele é amplamente utilizado em produtos de cuidado com a pele. O composto ajuda a amaciar a epiderme, melhora a absorção de vitaminas e facilita o espalhamento de cremes, geralmente em concentrações muito superiores às encontradas nos ninhos dos roedores.

Apesar disso, especialistas garantem que não há risco de alteração comportamental em humanos. Nossa espécie não possui os receptores neurológicos necessários para responder ao IPM da mesma forma que os mamíferos sociais. Portanto, o uso cosmético é seguro e não interfere no nosso comportamento.