O número de empresas inadimplentes no Brasil atingiu a marca histórica de 9,3 milhões em agosto. O levantamento feito pela Serasa Experian revela um crescimento de 14,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse aumento ocorre em meio à pressão exercida pelos juros altos e pelo cenário econômico restritivo.
Detalhes das dívidas
Em termos monetários, as dívidas atrasadas somaram R$ 244,4 bilhões, distribuídas entre 68,2 milhões de operações. A média de contas negativadas por empresa é de 7,4, com um passivo médio de R$ 26.355,13 por CNPJ. O tíquete médio de cada dívida individual gira em torno de R$ 3.583,96.
Setores mais afetados
O setor de serviços concentra a maior parte dos problemas financeiros, representando 56% das companhias negativadas. O comércio vem logo em seguida, com 32%. Já a indústria responde por apenas 8% do total, e o setor primário aparece com uma fatia mínima de 0,9%.
As micro e pequenas empresas são as mais impactadas. Elas concentravam 8,8 milhões dos CNPJs inadimplentes. Cada uma dessas empresas acumulava, em média, 7 contas negativadas, com uma dívida média de R$ 23.902,98.
Demandas por crédito
Apesar do cenário negativo, a demanda por crédito para pessoas jurídicas cresceu 11,2% nos últimos 12 meses. As concessões de capital de giro avançaram ainda mais, saltando 113,9%. Segundo a economista-chefe da Serasa, Camila Abdelmalack, esse movimento reflete a necessidade de financiar o caixa e manter a operação, e não a expansão dos negócios.
Regiões com mais inadimplência
O Sudeste continua sendo a região com maior volume de empresas no vermelho, impulsionado principalmente por São Paulo (3,2 milhões), Minas Gerais (927,4 mil) e Rio de Janeiro (879,9 mil). Paraná e Rio Grande do Sul também aparecem na lista, com mais de 500 mil CNPJs negativados cada.
Quanto à origem dos débitos, 31,7% vêm do setor de serviços, seguidos por bancos e cartões (19,7%). Cooperativas, serviços básicos e telefonia completam os principais credores.