Responsabilidade compartilhada
A indústria brasileira já entende que a sobrevivência do setor não depende apenas do governo. O empresário tem seu papel: investir, melhorar processos, buscar inovação e qualificar a força de trabalho. No entanto, existem limites claros para essa autonomia.
Como bem resume o argumento central da coluna publicada em 29 de setembro de 2026: uma indústria pode otimizar sua produção, mas não constrói rodovias. Pode adotar tecnologia, mas não simplifica o sistema tributário. Pode treinar funcionários, mas não resolve os déficits da educação básica.
Dados preocupantes
Os números recentes mostram um cenário misto e desafiador. Segundo dados do IBGE divulgados em 2024, a taxa de inovação nas empresas industriais com 100 ou mais trabalhadores caiu para 64,4%, atingindo o menor nível da série histórica. Paralelamente, o uso de inteligência artificial saltou de 16,9% para 41,9%.
O Banco Mundial aponta que o Brasil enfrenta gargalos estruturais conhecidos: baixa produtividade, ambiente de negócios hostil, infraestrutura precária e fraca abertura comercial. Esses são problemas que o empresário não resolve sozinho no chão de fábrica.
Peso da tributação
A carga tributária bruta chegou a 32,40% do PIB em 2025, segundo o Tesouro Nacional. O problema não é apenas o valor pago, mas a complexidade das regras. O tempo e os recursos gastos para entender, calcular e recolher impostos consomem energia que poderia ser direcionada à produção.
Resiliência não pode virar desculpa para o abandono do poder público. O país precisa de um ambiente que estimule quem produz, e não que o sufoca.
O peso do voto em 2026
Com as eleições chegando, o setor produtivo tem o dever de ser protagonista. Não basta escolher presidente ou governadores. Em 2026, serão definidos 513 deputados federais, 1.035 estaduais e 54 senadores.
Parlamentares aprovam leis e votam o orçamento. Ignorar o Legislativo significa perder metade da história econômica. Nenhum plano de governo avança sem leis e sustentabilidade orçamentária.
A indústria forte não quer ser carregada pelo Estado. Ela quer condições para caminhar com as próprias pernas: menos burocracia, segurança jurídica, infraestrutura eficiente e regras fiscais racionais. Quem vota deve ter consciência de que suas escolhas definem as regras que regem a economia.
