Origem e popularização

No Brasil, os jingles eleitorais existem desde a década de 1920. No entanto, o primeiro a conquistar o público nacional foi o de Getúlio Vargas para presidente, em 1950. A canção foi interpretada por Francisco Alves, conhecido como “o Rei da Voz”.

Outro marco importante ocorreu em 1960, com a campanha de Jânio Quadros. O jingle “Varre, varre, vassourinha” se tornou extremamente popular entre os eleitores.

Proibição e retorno nas décadas seguintes

Por quase duas décadas, as músicas de campanha foram proibidas. Na época, só havia uma música oficial feita pelo governo, com foto padronizada de todos os candidatos.

A situação mudou na década de 1980, quando os jingles voltaram com força total. Um dos mais lembrados é o de Orestes Quércia, candidato a governador em 1986, com a letra “O sol nasceu pra todos e também para você”.

Eleições históricas e fenômenos culturais

Em 1989, houve a primeira eleição presidencial com voto direto desde 1961. Três músicas se destacaram:

  • “Bota fé no velhinho”, de Ulysses Guimarães;
  • “Sem medo de ser feliz” (conhecida como “Lula, lá”), usada por Lula até hoje;
  • “Lá, lá, lá, lá, Brizola”, de Leonel Brizola.

Já na década de 1990, Paulo Maluf marcou duas campanhas. Em 1990, para governador, com “São Paulo é Paulo porque Paulo é trabalhador”. Em 1992, para prefeito de São Paulo, adaptou a música “Bate coração”.

O caso Eymael e a lição eleitoral

Para muitos, a campeã é a marchinha “Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão”, da campanha de José Maria Eymael para prefeito de São Paulo em 1985. De autoria do alfaiate do candidato, José Raimundo de Castro, a música virou fenômeno cultural e foi usada em todas as seis campanhas presidenciais de Eymael.

Apesar do sucesso musical, o caráter carnavalesco prejudicava a imagem do candidato. Ele nunca obteve votações expressivas, mostrando que ser lembrado não significa necessariamente ser votado.