O Tribunal do Júri condenou Yan Tavares da Rocha e Christopher Richard Silva da Rosa por tentativa de homicídio contra uma gestante, em julgamento realizado na terça-feira, 15 de setembro de 2026, no Fórum de São José do Rio Preto. As penas foram fixadas em 22 e 14 anos de reclusão, respectivamente.

Yan, pai da criança e apontado no processo como articulador do ataque, também foi condenado por tentativa de aborto. O julgamento durou quase 12 horas. Os jurados afastaram a imputação de feminicídio, mas reconheceram que os dois réus assumiram o risco de matar a vítima.

Ataque ocorreu no Residencial Aroeira II

O crime aconteceu por volta da meia-noite de 28 de maio de 2025, no bairro Residencial Aroeira II, em Rio Preto. A vítima, que tinha 18 anos na época, sofreu cerca de dez facadas e teve cinco órgãos perfurados.

Segundo o processo, o ataque tinha como objetivo interromper a gravidez. Em depoimento, a jovem relatou que havia sido atraída para um encontro com Yan, com quem manteve um breve relacionamento. Ela afirmou que ele insistia para que abortasse.

Enquanto aguardava em uma esquina, a jovem foi surpreendida por Christopher, amigo de Yan. Segundo o relato da vítima, ela começou a gritar, e Yan se aproximou e a atingiu com golpes de canivete.

Sentença determina indenização e perda do poder familiar

Na sentença, a juíza Gláucia Véspoli Oliveira destacou a premeditação do ataque. Segundo a magistrada, Yan levou um canivete e uma máscara cirúrgica para esconder o rosto e, depois do crime, fingiu preocupação e tentou simular que prestava socorro à vítima.

A juíza também declarou Yan incapaz de exercer o poder familiar, diante da gravidade do crime cometido contra seu descendente. O bebê nasceu em janeiro de 2026.

A pedido do Ministério Público, a sentença determinou que os réus indenizem a mãe e o filho em 150 salários mínimos para cada vítima, valor informado como equivalente a R$ 243.150 para cada um.

Durante o julgamento, a jovem relatou que ainda sente dores diariamente e ficou com deformidade física que dificulta sua locomoção e reduz sua capacidade de trabalho. Ela também afirmou sentir pânico quando precisa sair à noite.

Defesas avaliam medidas após a condenação

O advogado Wagner Domingos Camilo, que representou Christopher por convênio com a Defensoria Pública, afirmou ao Diário que seu cliente desconhecia a intenção de Yan. Segundo a versão da defesa, o plano apresentado a Christopher era simular o roubo do celular da vítima para verificar conversas relacionadas à paternidade do bebê.

Camilo considerou a condenação injusta e informou que analisará a sentença para avaliar um possível recurso. Entre os pontos que pretende examinar estão a primariedade, a idade inferior a 21 anos e as teses de desistência voluntária e participação de menor importância.

O advogado de Yan, Fábio da Silva, destacou que o Conselho de Sentença não reconheceu os elementos necessários à caracterização do feminicídio, conforme sustentado pela defesa. Ele informou que continuará avaliando os fundamentos da decisão e as medidas processuais cabíveis.

O promotor Horival Marques de Freitas Júnior avaliou a condenação como uma resposta da Justiça à violência de gênero e afirmou que as provas demonstraram a brutalidade da emboscada contra a gestante.