Novas buscas na Operação Crédito Oculto

A Justiça de Catanduva, no interior de São Paulo, autorizou nesta sexta-feira (25) a realização de buscas em 32 endereços distribuídos entre seis estados e o Distrito Federal. A ação faz parte da fase final da Operação Crédito Oculto, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para investigar um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a chamada "máfia dos combustíveis".

As diligências foram solicitadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e assinadas pelo juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2ª Vara Criminal de Catanduva. As investigações apontam ligações entre o esquema criminoso e a facção Primeiro Comando da Capital (PCC).

Alvos e conexões internacionais

Entre os principais investigados estão o ex-sócio-proprietário do Banco Genial, Humberto Tupinambá; o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, delator no caso Master; e o Grupo Entre. Este último foi utilizado por Daniel Vorcaro para enviar US$ 12,3 milhões para os Estados Unidos, recursos destinados ao financiamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado "Dark Horse".

O dinheiro teria sido enviado ao Havengate Development Fund LP, no Texas, administrado por advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Segundo Vorcaro, as remessas constituíram patrocínio para a produção cinematográfica.

Esquema de lavagem e a distribuidora Terrana

As evidências apreendidas em celulares e computadores revelam um sofisticado esquema para dissimular a fortuna de Roberto Augusto Leme da Silva (Beto Louco) e Mohamad Hussein Mourad (Primo). Os dois foragidos teriam comprado a distribuidora Terrana por até R$ 153 milhões, utilizando uma arquitetura financeira construída com a ajuda de Humberto Tupinambá e do advogado Rogério Garcia Peres.

Mensagens encontradas indicam que o objetivo era ocultar a identidade dos compradores da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e do grupo americano Tramp Oil. Isso garantiria a manutenção das centenas de postos abastecidos pela organização, incluindo aqueles utilizados para lavar dinheiro do tráfico de drogas.

Posicionamento do Banco Genial

O Banco Genial emitiu nota esclarecendo que Humberto Tupinambá não integra sua diretoria e deixou de ser sócio da instituição em maio deste ano, quando foi destituído de suas funções. O banco afirmou que atuou dentro das normas aplicáveis e permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.