Lula desafia sociedade a cobrar origem dos cortes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (10) que é fundamental que a população questione onde o candidato Flávio Bolsonaro (PL) pretende cortar os R$ 250 bilhões prometidos em sua proposta de gastos. Durante coletiva com a imprensa no Rio Grande do Norte, Lula argumentou que historicamente os reducionistas atingem os mais vulneráveis.
"Quando o meu adversário diz que vai cortar R$ 250 bilhões, que vai ter um tesouraço, é preciso que a sociedade comece a se perguntar de onde é que vai ser esse corte. Porque eu não conheço ninguém da elite brasileira que governou esse país que teve coragem de cortar dos ricos. Ele sempre corta dos pobres", disse Lula.
Contexto geopolítico e incertezas
O petista também classificou o momento atual como uma "aferrição" entre viver na mentira ou na verdade, citando instabilidades globais. Ele mencionou a guerra na Rússia, já em seu quinto ano, e o conflito no Irã envolvendo os Estados Unidos, destacando o prejuízo ao povo mundial devido às tensões no estreito de Ormuz.
Lula reforçou que as decisões atuais definem o tipo de educação, cultura e saúde que o país deseja construir, em contraste com a incerteza econômica global.
Posições de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro negou que suas propostas envolvam mudanças na forma de aumento das aposentadorias ou do Benefício de Prestação Continuada (BPC). O senador afirmou que programas sociais como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Farmácia Popular serão preservados. Na sexta-feira (9), ele chegou a dizer que o Bolsa Família é "sagrado" e prometeu aumentos nos benefícios, sem detalhar a fonte dos recursos.
Recuperação de votos no Nordeste
A viagem ao Rio Grande do Norte tem um objetivo estratégico claro: recuperar a vantagem eleitoral perdida em relação à eleição de 2022. Governado pela petista Fátima Bezerra desde 2019, o estado viu Lula perder mais de 120 mil votos de margem no primeiro turno deste ano frente ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Integrantes da campanha apontam a perda de votos no Nordeste como um fator crítico para o desempenho inferior ao esperado. A presença do presidente visa impulsionar a candidatura do petista Cadu Xavier (Cadu de Lula) contra Allyson Bezerra (União).
