Em 9 de junho de 2026, celebrou-se a efeméride dos 50 anos da morte de Mao Zedong. Reconhecido mundialmente como membro originário do Partido Comunista Chinês (PCC), militar anti-imperialista e estadista que fundou a República Popular da China em 1º de outubro de 1949, Mao deixou um legado que transcende a esfera governamental.
Além de seu papel político na resgate da dignidade do povo chinês e na concepção de novas dimensões para a cooperação internacional, Mao Zedong destacou-se como professor, jornalista e poeta clássico. Sua obra literária adaptou a lírica tradicional aos temas políticos, inspirando a nação durante três décadas de luta contra a opressão estrangeira e doméstica.
Poesia como instrumento político
Durante esse período, Mao redigiu mais de 70 poemas. Suas composições narravam os desenvolvimentos da guerra de libertação nacional e abordavam a natureza com delicadeza, utilizando métricas e formatação de perspectiva clássica. Os textos foram escritos com elegância, refletindo os traços refinados da milenar arte caligráfica chinesa, inspirados nos modelos das dinastias Tang (618-907) e Song (960-1279).
Na perspectiva política, a poesia serviu como forma de repercutir feitos militares em uma época de precariedade nos meios de comunicação, adquirindo contornos épicos e metáforas inspiradas em poetas precedentes. Obras como "Neve" (1944), "Celebrando a Vitória" e "Montanha arco-iris" (1955) ilustram essa fusão entre arte e narrativa histórica.
Legado literário e prosa direta
Mao Zedong figura entre os raros estadistas mundiais tornados literatos importantes, sendo o único a sensibilizar toda uma nação através de sua lírica. Paralelamente, seu estilo de prosa era caracterizado por ser direto, claro e contundente, conforme evidenciado em artigos, livros, lições e discursos.
- A poesia transformava-se numa análise crítica direta, lógica e racional.
- O estilo era raramente sentimental, priorizando a eficácia política.
- O autor também escreveu o Dicionário de Mandarim e outros 12 livros sobre a China.
